Em um primeiro momento a dúvida é inevitável tamanha a perfeição dos traços com que Jéssica Santos, 25 anos, realiza suas obras. Tanto que apenas de perto é possível constatar que se trata de um desenho e não uma fotografia em preto e branco. Usando a técnica do grafite com o estilo do hiperrealismo, a recém-formada em Arquitetura, da pequena Ivaiporã (Noroeste), retrata pessoas, principalmente artistas e personalidades, somente com lápis, borracha e esfumaçador.
Conhecida como ''a Jéssica que desenha'' em sua cidade natal, ela conta que começou ainda pequena a arriscar os pequenos traços. ''Sempre tive facilidade em desenhar, por isso, me destacava nas atividades da escola. Quando criança gostava de fazer super-heróis'', lembra. E desenhando apenas pela intuição, sem saber nomes de técnicas ou material específico, aos 16 anos, resolveu aprimorar o talento e fazer um curso em Maringá. ''Foi então que aperfeiçoei meu trabalho. Comecei a treinar meu olhar para ver de uma maneira diferente do leigo.''
E se o seu olhar ficou mais aguçado, ela credita ao olhar do desenho como item fundamental no realismo dos retratos. ''Detalhes como constraste, variação de preto e brilho dão realidade ao desenho. Mas o olhar da pessoa tem de representar a essência, ainda mais quando é alguma personalidade. Se errar, acaba descaracterizando a pessoa.'' E este é justamente um dos motivos que a faz desenhar pessoas conhecidas. ''Com figuras marcantes vai ser possível que avaliem como meu trabalho é fiel. Do contrário, pode ficar a dúvida se falhei em algum detalhe'', argumenta a jovem.
Não falhou; como a cada desenho de seu acervo é impossível não ficar extasiado com a perfeição. Também pudera, em cada um ela se dedica durante uma semana, cinco horas por dia. ''Meu próximo trabalho vai ser Oscar Niemayer'', revela, com a foto do arquiteto em mãos. O que falta para começar? ''Tenho que comprar o papel que acabou'', diz, rindo. Ao longo desses anos, ela contabiliza mais de cem quadros produzidos, entre famosos e anônimos. Para exposição ela dispõem de celebridades tais como Audrey Hepburn, Jimi Hendrix, Albert Einstein e Madonna.
Mas se o talento é nato, a vida a levou para outros caminhos. Felizmente, nem tão distante assim, já que o desenho acaba sendo mais um hobby que propriamente uma profissão. ''No Brasil, é difícil viver de arte. Conciliei, portanto, a Arquitetura com meu dom. Pretendo agora, trabalhar com decoração de interiores. Mas o desenhos vão continuar sempre na minha vida'', garante ela que também realiza trabalhos sob encomenda. ''É só me mandar a foto com boa resolução, que dê para ver bem os detalhes, que eu reproduzo.''

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