A fotógrafa Leila Wright, 36 anos, foi amarrada, torturada, esfaqueada e abandonada à morte na noite de quarta-feira. O crime ocorreu dentro de sua casa, no Jardim Social, em Curitiba. Não há pista do assassino, que fugiu com o carro da vítima, um Gol preto ano 97. O enterro aconteceu ontem, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana. Ela era filha do ex-deputado catarinense Paulo Wright, desaparecido político da ditadura militar.
Foram encontrados hematomas e 14 perfurações no corpo de Leila, que morava sozinha. ‘‘A princípio, não é um caso de latrocínio (roubo seguido de morte) porque nada foi levado da casa da vítima’’, diz o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, o primeiro a atender à ocorrência. ‘‘O assassino apenas tomou o carro para fugir’’, completa. Ele acredita que o crime tenha sido executado por alguém conhecido da vítima.
‘‘Não encontramos sinais de arrombamento da porta, um indício de que ela chegou acompanhada do assassino ou ele a esperava em casa’’, informa Recalcatti. Segundo ele, Leila recebia ameaças de morte por telefone. A última gravação de sua secretária eletrônica registra duas ofensas: ‘‘Maldita...vagabunda!’’. A fita vai ser entregue ao delegado Josmair de Camargo, da Delegacia de Homicídios.
De acordo com Recalcatti, Leila tinha visitado uma amiga no bairro Juvevê antes de chegar em casa, por volta das 19 horas. ‘‘Os vizinhos ouviram gemidos uma hora depois e ainda observaram um homem de jaqueta escura circular pela casa’’, conta o delegado. ‘‘Estou quase certo de que quem a matou sabia de sua rotina e premeditou tudo’’, disse.
Por enquanto, prosseguem as buscas ao carro (placas ALI 7222, de Curitiba). Além da profissão, a vítima se mantinha com uma pensão mensal de R$ 1,8 mil, paga pela morte do pai. Ela e o irmão dividiram uma indenização de R$ 100 mil quando Paulo Wright teve o desaparecimento político reconhecido. Cassado pelo golpe militar, o ex-deputado morreu em 1973, nos porões da ditadura, em São Paulo, quando atuava na organização clandestina Ação Popular (AP).

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