O espírito humano sempre invejou esses seres, que vivem livres da limitação da gravidade, e ganham ares de divindade quando se arriscam cortando os ventos e partilhando os céus com companheiros como o sol e a lua. Quem nunca sonhou que por um momento voava, para logo depois acordar com um sentimento de aguda frustração?
Sua presença sempre nos inspirou. Podem ser aves agourentas ou aves de esperança. A pomba que traz a paz, ou o corvo que é prenúncio de morte. Rouxinóis que encantam a vida com o seu canto, ou a mítica fênix, que ressurge das próprias cinzas. São criaturas mágicas por excelência.
Quando se trata de pássaros, o olhar do fotógrafo Theo Marques é democrático. Suas lentes registram tanto o canário da terra que se refestela ao pôr-do-sol, quanto o banquete de pardais e as pombas ordinárias que miram espantadas a objetiva. Muitos desses flagrantes, segundo o autor, desfilaram para ele naturalmente, em um espetáculo que é corriqueiro, mas que só pode ser visto para aqueles que têm essa sensibilidade alada, que permite que o olhar alcance alturas desconhecidas.

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