Um fragmento de mandíbula de 1,8 centímetro encontrado em Cruzeiro do Oeste (Noroeste) revelou uma nova espécie de lagarto fóssil. A descoberta foi publicada na renomada revista científica Nature Communications pelos pesquisadores do Centro de Paleontologia (Cenpaleo), da Universidade do Contestado, de Santa Catarina, em parceria com o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade de Alberta, no Canadá.
A nova espécie foi batizada de
Gueragama sulamericana. Segundo os pesquisadores, este é o primeiro registro fóssil deste grupo de réptil na América do Sul. O fragmento encontrado em Cruzeiro do Oeste tem aproximadamente de 80 milhões de anos.
O fóssil foi encontrado em agosto do ano passado. Os estudos mostram que este grupo se dispersou pela Ásia durante o período Cretáceo e, durante o período Cenozoico, 66 milhões de anos atrás, pela África e Europa.
A descoberta da Gueragama sulamericana mostra que a dispersão destes répteis pelo hemisfério sul ocorreu antes do que acreditavam os paleontologistas. "Este é um achado raro e vai permitir a reconstrução paleo-ambiental e geográfica do local", explicou o paleontólogo Everton Wilner, do Cenpaleo.
Existem poucas informações sobre a fauna de lagartos e serpentes da América do Sul e a descoberta dessa espécie indica que os lagartos sul-americanos eram mais próximos aos grupos existentes em outros continentes do que aos grupos que habitam atualmente o Brasil e a América do Sul.
Para o professor do Museu Nacional, Alexandre Kellner, "esta descoberta demonstra o enorme potencial do Brasil para contribuir com o conhecimento da evolução dos vertebrados, o que pode ser exemplificado com o depósito de Cruzeiro do Oeste".

* Pertence aos lagartos iguanídeos acrodontes, que existem apenas nos continentes do Velho Mundo

* Os fósseis mais antigos de acrodontes têm entre 160 milhões e 180 milhões de anos e foram encontrados na Índia


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