Fossa ainda é solução em bairros de Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Em Londrina, a gerência da Sanepar na região metropolitana garantiu que a cobertura de rede de esgoto atinge 66,7% das residências, índice bastante superior à média estadual. A meta da empresa até o final de 2004 é chegar a uma abrangência de 75%. Enquanto espera o investimento, a única saída para muitas famílias ainda é a perfuração da velha e inadequada fossa no quintal.
No Jardim Atlanta (zona sul), o cano que funciona como respiradouro do reservatório é visto em praticamente todas as residências. Só não existe onde as condições do terreno não permitem.
O marceneiro Antônio Pedro de Oliveira, 60 anos, foi um dos primeiros moradores do bairro e há sete anos aguarda a construção das galerias de rede de esgoto. Ele contou que ainda ''deu sorte'' porque conseguiu uma profundidade de oito metros na fossa perfurada na parte da frente da casa, onde moram 12 pessoas. ''Tem terrenos aqui que não dá para furar, porque com menos de dois metros já existe pedra'', revelou. Em frente à sua residência, a estudante Noeli dos Santos Morais, 33 anos, divide o terreno onde mora com outra família. Resultado: foi necessário perfurar duas fossas há menos de três metros de distância uma da outra. ''A fossa num terreno nunca é bem vista'', avaliou.
O aposentado José Nunes Pereira, de 71 anos, se mudou para o bairro com a mulher e a sogra há apenas três meses e já sente os desconfortos de não ser beneficiado com a rede de esgoto. ''Para a saúde não é certo. Isso é uma coisa que não pode mais existir numa cidade como Londrina'', reclamou. No terreno ao lado, o mototaxista Alexandre Dias Reis, de 29 anos, está construindo sua casa e ainda não perfurou o buraco que deverá receber os resíduos sanitários. ''Gostaria que já tivesse tudo certo no bairro para a gente mudar.''
A região sul, segundo o gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, deverá concentrar boa parte dos investimentos previstos até o final do ano que vem. A empresa pretende consumir perto de R$ 15 milhões em obras de saneamento básico. Apenas em Londrina, a Sanepar já tem uma cobertura de esgoto de 85%. ''Ainda não é o ideal mas pode ser considerado bom'', ressaltou. Quanto ao abastecimento de água, Bahls assegurou que praticamente todas as famílias da região metropolitana são beneficiadas. Ficam de fora apenas os moradores de invasões. Segundo ele, a qualidade da água é outro diferencial da Sanepar na cidade. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera bom o índice de até três cáries em crianças de até 12 anos, Londrina registra a excelente marca de uma cárie. ''Isso é resultado da fluoração e do tratamento adequado da água'', disse.


