Foz do Iguaçu - Mais de 200 armas apreendidas com bandidos, em Foz do Iguaçu, sumiram justamente do local de onde não poderiam desaparecer: o cofre localizado dentro do depósito do Fórum da cidade. São revólveres, pistolas, escopetas e até metralhadoras que estavam sob responsabilidade do Poder Judiciário e podem ter voltado para marginais.
O caso foi descoberto no fim de junho depois da direção da comarca local identificar a ausência de uma arma durante o trâmite de um processo. Extra-oficialmente, o desvio foi descoberto porque um revólver, que deveria estar a sete chaves, teria sido apreendido com um bandido. A administração do Fórum diz desconhecer essa informação.
O registro do primeiro sumiço originou num levantamento das armas que estão sob responsabilidade das três varas criminais e vara especial criminal. Após um mês de trabalho, foi constatada a diferença entre o total armazenado e o total que deveria estar guardado. O volume extraviado equivale a cerca de 10% do total de armas depositadas no cofre.
Os principais suspeitos de retirar as armas são um funcionário e um estagiário com acesso as chaves da sala e do cofre. Outras pessoas podem estar envolvidas ou ter participado do esquema já que ainda não se sabe desde quando o crime é praticado. Há suspeita que as unidades foram extraviadas gradativamente nos últimos anos.
Apesar da gravidade, a comarca não tomou um posicionamento público em julho por causa das férias forenses. Ontem, o diretor do Fórum, juiz Lourenço Cristóvão Chemim, deu a primeira declaração oficial sobre o assunto. Ele disse que instaurou um procedimento administrativo contra o funcionário que detinha a chave, e pediu abertura de inquérito. ''Queremos saber quem desviou essas armas e o destino dado a elas'', afirmou Chemim. Os investigados terão dez dias para apresentar defesa no processo administrativo, que já tem 204 páginas.
O juiz considerou que o extravio das armas, potenciais provas de crimes, não devem prejudicar o julgamento de processos. Ele afirmou que, em todos os casos, existem os exames de balística para fundamentar as ações.
Em março de 2002, um estagiário de direito e um empresário do município foram presos acusados de roubar dois processos do Fórum de Foz. O crime aconteceu dias antes dos autos serem retiradas das varas criminais. À época, os volumes foram recuperados porque existiam cópias eletrônicas das informações.

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