No mês de abril, parte dos milhares de filhos adotivos existentes no País vão se reunir em Porto Alegre para discutir assuntos que costumam consumir um precioso tempo de suas vidas, como a busca pelos pais biológicos (e a importância de fazê-la), a compreensão da rejeição e a melhor maneira de superá-la. O 2º Fórum Filhos Adotivos do Brasil, que está sendo organizado pela associação que leva o mesmo nome, também vai discutir o projeto de mudança na lei de adoção e debater todos os aspectos que envolvem o assunto, mostrando aos pais adotivos como agir em todo o processo.
O Fórum vai acontecer no dia 6 de abril, no Sesc da capital gaúcha (Avenida Protásio Alves, 6.220), às 17 horas. Como as vagas são limitadas, a associação já está recebendo inscrições no seu site (www.filhosadotivosdobrasil.com.br). ''No ano passado recebemos participantes de todo o País, e este ano não deve ser diferente. Esperamos inclusive participantes de outros países'', diz o criador e presidente da Filhos Adotivos, José Ricardo Andrade Fischer. Segundo ele, o evento vai reunir tanto filhos como pais - que já adotaram ou que pretendem adotar - e profissionais ligados ao assunto, como antropólogos, advogados, psicólogos, psicopedagogos e médicos.
No site da associação, há links para histórias de pessoas que travaram verdadeira batalha para encontrar seus pais biológicos. Entre os depoimentos está o de Fischer, que sempre soube ser filho adotivo, mas levou vários anos para reencontrar a mãe. ''Resolvi criar o site para facilitar a busca dos pais biológicos, que é muito importante para a vida dos filhos, até por questões de saúde, como histórico de doenças na família e riscos de consanguinidade'', explica, lembrando de um caso recente na Inglaterra, em que dois irmãos chegaram a se casar, por desconhecer o parentesco.
Fischer esclarece que a associação também assessora juridicamente os muitos filhos de criação - como são chamados aqueles que não foram adotados legalmente pela família - ainda existentes no País. ''Como estas adoções não foram feitas no papel, quando os pais morrem estas pessoas ficam desamparadas.'' Atualmente a associação atua em várias regiões do Brasil, promovendo reuniões e palestras, e pretende tornar-se conhecida também no Paraná.
Atualmente, além do Fórum, a Filhos Adotivos está lançando um livro que pretende ser uma espécie de manual para pais, filhos e qualquer um que pense em adotar. ''Até hoje só havia no mercado literatura feita por profissionais que não viveram a experiência da adoção. O livro traz vários relatos e esclarecimentos sobre o assunto'', ressalta Fischer. Por se tratar de uma produção independente, os interessados na obra devem entrar em contato com a associação, via e-mail ou ligação telefônica.
A lei de adoção, considerada ultrapassada pelos membros da associação, também é abordada no livro. ''Temos trabalhado para acabar com a burocracia existente. Hoje em dia um processo de adoção pode levar até seis anos, e quando termina os pais já não querem mais a criança, por acharem que ela já está muito crescida. Isto tem que acabar. O processo todo não teria que durar mais que uma semana'', sugere Fischer.
Enquanto a legislação não muda, e os abrigos se enchem de crianças e adolescentes que há anos esperam por uma família, o projeto Filhos Adotivos do Brasil trabalha para inaugurar ainda este ano a 1 Casa Escola, que abrigará crianças que foram abandonadas ou não têm chance de adoção devido a alguma deficiência ou idade acima de sete anos. ''Ali vamos oferecer famílias adotivas e cursos profissionalizantes, para que elas tenham maiores chances no mercado de trabalho ao completarem a maioridade.'' O projeto conta com o apoio da iniciativa privada e, se depender do entusiasmo de seu idealizador, em breve deve ser implantado também em outros Estados.
Serviço: Contatos com a Associação Filhos Adotivos do Brasil podem ser feitos pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (51) 3493-4647 e (51) 8415-5225.

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