A coordenação do Fórum Contra a Violência, que tem apoio da Anistia Internacional, cobrou ontem uma investigação minuciosa e imparcial, feita por outra corporação desvinculada da PM, e uma punição imediata, caso seja confirmado o crime contra o taxista Ademir Morador e seus passageiros. No Fórum estão registrados 24 assassinatos, pelo menos dez deles cometidos por soldados da PM. A maioria dos crimes ainda não tem solução, apesar do órgão ter indicado os acusados.
Segundo o coordenador do Fórum, Adriano Gabardo, é regra que policiais acusados de envolvimento em homicídios denunciados pelo órgão tenham um histórico de violência. ‘‘Todos já cometeram crimes que poderiam tê-los afastado das corporações’’, afirma. Gabardo acredita que mais do que a falta de preparo, é a impunidade que dá asas à violência policial. ‘‘É o que chamamos de prática pedagógica. Um exemplo fala mais que uma instrução’’, diz. ‘‘Se um policial comete um crime e não é punido, está se ensinando pedagógicamente a este e aos outros que podem cometer desvios’’.
O coordenador quer que as autoridades tomem medidas que diferenciem este caso dos que são acompanhados pelo Fórum. Ações diferentes das tomadas em relação à morte de João Antônio Chaves, uma das 24 que constam no relatório do órgão. Chaves levou um tiro na testa, em 1997, ao tentar apanhar um documento, depois de ser abordado por um policial quando saía de um bar. O sargento da PM, Dirceu de Almeida Ferreira, acusado do crime, respondeu a uma sindicância interna, que não conseguiu provar a autoria do homicídio. Uma investigação do 1º Distrito Policial, ainda não concluída, acusa o policial pelo crime.
Raros são os casos como o do policial militar Antônio Hélio Gusmann. Acusado de matar, em 1989, o comerciante José Henrique Zanoncini Lins, que passou um sinal vermelho, ele foi condenado há seis anos de prisão e expulso da PM. Os erros de abordagens, porém, não são um privilégio da PM. A Polícia Civil também tem em seus quadros agentes que perderam o rumo. Um exemplo é a morte do estudante Rafael Rodrigo Zanella, ocorrida em maio de 1997. Apesar de terem sido confirmados o autor do disparo e oito cúmplices da morte e da farsa que tentou livrar os policiais, apenas um deles foi condenado até hoje.

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