Edson MazzettoVisitaçãoMemorial das Cidades, marco do Mercosul, recebe visitas; educadores propõem integração pela linguagem, com ensino do português e espanhol nas escolas dos países envolvidosOs participantes da 16ª Reunião do Fórum Permanente Regional de Prefeitos do Mercosul (Mercado Comum do Sul), realizada no final da semana em Cascavel, querem aumentar a integração das populações dos países associados. Essa integração, manifestaram os prefeitos, deve ir além dos aspectos econômicos estabelecidos no Tratado de Assunção, que deu base ao Mercosul. Atas de reuniões temáticas do encontro, divulgadas ontem, destacam questões como educação, cultura, saúde, meio ambiente e outras áreas classificadas como de interesse social que afetam diretamente as populações dos países do bloco.
Cerca de 500 pessoas, a maior parte de países vizinhos, participaram da reunião. Argentina e Paraguai formaram as maiores delegações. O Fórum foi criado há quatro anos no norte da Argentina, espalhando-se depois para o Paraguai, Brasil e Uruguai. O presidente é Juán Carlos Hobecker, prefeito de Eldorado (na Província de Misiones), e o vice-presidente é o prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), que deve assumir a presidência em reunião marcada para outubro, no Paraguai, quando o organismo deve ser transformado em Fórum Regional Permanente de Municípios do Mercosul.
Vanderlei FariasDebatesA secretária Edi Volpin (de branco) fala na comissão temática; atas de reuniões temáticas destacam educação, cultura, saúde e meio ambiente
Segundo Barreiros, a nova denominação dará mais poder ao Fórum. Nas questões econômicas, por exemplo, os municípios podem apenas sugerir medidas aos governos estaduais e nacionais, mas em outras áreas têm como avançar por conta própria. É o caso da educação, cuja comissão temática foi presidida pela professora Edi Volpin, secretária municipal de Cascavel. Segundo ela, as diferenças naturais entre os países não são impedimento para a integração no setor. ‘‘Na verdade, elas acabam complementando a proposta’’, diz.
Os educadores destacaram a necessidade de integração pela linguagem, com o ensino do português e do espanhol nas escolas. Também querem intercâmbio entre universidades para diagnosticar realidades regionais. Os participantes pretendem regionalizar social e culturalmente o ensino de 1º e 2º graus, inclusive com a edição de livros com uma mesma linha teórica, mas preservando diversidades culturais. Outra proposta é de estimular processos de educação populares e não formais, além de intercâmbio de professores e alunos e formação de um banco de dados do setor educacional.
Na comissão de cultura, os participantes destacaram a necessidade de mobilizar o setor empresarial para investimentos no setor em troca de marketing. O secretário de Cultura de Cascavel, Luiz Ernesto Pereira, que presidiu a comissão, observa que os participantes concluíram os trabalhos com a convicção de que ‘‘sem uma política cultural efetiva, o Mercosul será um gigante com pés de barro e sem alma’’. A secretaria municipal inaugurou um Memorial das Cidades, no Paço das Artes, como símbolo da integração promovida diretamente pelas cidades no Mercosul.
A comissão de saúde, por outro lado, decidiu lutar pela garantia de assistência médica às pessoas em trânsito nos países parceiros, independente da nacionalidade. O direito ao atendimento deve ser divulgado em aduanas e nas próprias unidades de saúde. Segundo o secretário municipal Moacir Borghetti, de Cascavel, que presidiu a comissão, também devem ser desenvolvidas ações conjuntas para prevenção de acidentes de trânsito e vigilância epidemiológica, com atenção especial para o sarampo, dengue e Aids. Outra preocupação é com imunizações, principalmente contra a raiva.
A comissão de meio ambiente debateu as ações para recuperação e preservação ambiental desenvolvidas no Paraná e manifestou preocupação especial com reservatórios de hidrelétricas existentes em grande número nas regiões de fronteira. No caso brasileiro, nos rios Paraná e Iguaçu. O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antonio Andreguetto, informou sobre a obrigatoriedade de elaboração do Relatório de Impacto Ambiental para projetos hidrelétricos.

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