Um documento obtido pela Folha confirma que as obras do Fórum de Curitiba já apresentavam problemas em dezembro de 1988. A informação oficial era de que as falhas na estrutura de concreto do prédio só foram descobertas em 1991. O laudo, que era desconhecido do público até ontem, foi assinado pelo engenheiro José Augusto de Queiroz, responsável pelo projeto arquitetônico do Fórum.
Na época, Queiroz alertou o Tribunal de Justiça, que encaminhou o caso ao Departamento Estadual de Construção de Obras e Manutenção (Decom), vinculado a Secretaria de Administração, mas o documento foi arquivado. Em abril de 1990, o mesmo Decom emitia o termo de aceitação definitiva da obra, sem contestar qualquer irregularidade perante a empresa que ergueu a estrutura: a Construtora Coteli, de Curitiba.
De acordo com o laudo da JCM Queiroz Arquitetura e Engenharia, com sede em Londrina, de 7 de dezembro de 1988, foram analisadas a geometria do prédio, execução e assistência técnica. Foram encontradas 20 irregularidades. O relatório apontou ‘‘vigas com escoramento deficiente’’, ausência de colocação das ‘‘armaduras negativas em posição correta’’,‘‘pilares mal reparados quando apresentam defeitos na concretagem’’, ‘‘execução de concretagem sem verificação da posição das armaduras e acompanhamento dos serviços por meio de engenheiro’’, entre outras.
Em entrevista a Folha, Luiz Henrique Bona Turra, que presidiu o Decom de março de 1991 a outubro do ano seguinte, disse que o documento da JCM Queiroz Arquitetura e Engenharia foi encontrado durante os trabalhos de uma comissão formada por representantes do Tecpar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Decom, divisão de engenharia do TJ e da Dalcon Engenharia. A partir da apuração feita pela comissão, segundo Turra, foi possível descobrir o documento três anos depois da sua elaboração. Turra estranha que mesmo alertados das falhas em 88, Decom e TJ não tomaram qualquer providência. ‘‘Deveria ter havido uma investigação.’’
A comissão foi formada para avaliar o estado do esqueleto de concreto. As obras estavam paralisadas desde 1989. A construção era por etapas: o fundamento (feito no governo de José Richa), a estrutura em concreto armado (durante gestão de Álvaro Dias) e as obras de alvenaria (que deveriam ocorrer no período de Roberto Requião). Turra explicou que a comissão trabalhou paralelamente à licitação pública para definir a empresa que faria a alvernaria do Fórum em 91.
Detectados os problemas, Turra disse que determinou o cancelamento da licitação e a anulação do termo de aceitação definitiva da obra emitido à Coteli em 1990. A construtora recorreu à Justiça para contestar o ato do Decom. Na mesma ação, o Estado rebateu e pediu indenização por parte da construtora pelas falhas técnicas que comprometeram a segurança da estrutura. O caso aguarda sentença na 2ª Vara da Fazenda Pública, em Curitiba. A Coteli espera que a Justiça decida pela recuperação do termo de aceitação da obra e indenização por danos morais.

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