Rolândia - No lugar de um prédio imponente, orçado em quase R$ 1,6 milhão, mato alto e uma construção abandonada. É o cenário do ''novo'' Fórum de Rolândia, cuja obra deve ser retomada ainda este mês. A antiga edificação foi demolida em 2003 e, desde então, o fórum passou a funcionar de forma improvisada na antiga agência do Banestado.
Funcionários e advogados que utilizam o fórum não vêem a hora de poder trabalhar no novo prédio. A antiga agência bancária funciona de forma improvisada, com salas separadas por divisórias, e setores como a Justiça Eleitoral atendem em outro local da cidade.
Além das goteiras em várias partes do prédio e da dificuldade para encontrar processos na apertada área do arquivo, a principal reclamação de quem frequenta o fórum é a falta de segurança. ''Semana passada um preso revoltado começou a chutar as divisórias, quase derrubou tudo aqui. O preso tem que atravessar todo o fórum para chegar à sala de audiência e, por falta de espaço, aguarda o julgamento na sala do arquivo. É um risco que a gente corre'', reclama uma funcionária do fórum, que preferiu não se identificar.
Entre os advogados, a reclamação é outra. Para Eucídio Pereira da Fonseca, o pouco espaço é o principal problema. ''A reclamação é geral, porque a falta de espaço no fórum dificulta muito o nosso trabalho. Até quando tem júri, precisa ser feito na faculdade de Direito da cidade, porque aqui não tem lugar. Quando o novo fórum ficar pronto, vai melhorar muito para a nossa classe'', prevê o advogado.
A primeira licitação para a construção do fórum foi aberto em dezembro de 2002. O valor do contrato era de R$ 1,22 milhão, com prazo de dez meses para execução da obra. A estrutura do prédio chegou a ser erguida, mas a construção não chegou ao fim. ''A obra foi parando devagar. A empresa estava com a construção de outros dois fóruns em andamento. Eles tiveram problemas financeiros, não pagaram os funcionários, que cruzaram os braços e acabaram entrando na Justiça do Trabalho'', lembra o juiz Alberto Ludovico, diretor do fórum.
A obra ficou embargada na Justiça, e uma nova licitação demorou para ser feita por razões técnicas do projeto. ''O Tribunal de Justiça tinha que fazer uma perícia para ver o que já havia sido erguido no local e acertar as contas com a empreiteira. É um levantamento complicado'', explica Ludovico.
Em outubro do ano passado, foi aberta uma nova licitação, e o processo foi vencido pela Hejos Engenharia, de Maringá. O valor do novo contrato é de R$ 1.589 milhão, e o prazo para a conclusão da obra é de quatro meses, contados a partir da ordem de execução de serviço. O documento deve ser homologado nos próximos dias pelo presidente do Tribunal de Justiça, José Antonio Vidal Coelho.
''Assim que recebermos a ordem de serviço, retomaremos a obra. Já fizemos um levantamento no local. Toda obra parada por muito tempo tem ajustes a ser feitos, mas vamos continuar a partir do que já foi construído. Não haverá demolição de nenhuma parte'', garante Osmar Nogami, engenheiro da empreiteira contratada.

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