A emenda da reforma acabou com o recesso de julho e janeiro nos fóruns. Se, por um lado, a medida parece contribuir para agilizar o trâmite dos processos, por outro tem sobrecarregado os profissionais da área. Os juízes, por exemplo, continuam tendo direito a dois meses de férias. Sem substitutos, quem acaba assumindo seu trabalho é outro juiz em atividade, acumulando as duas funções. ''Além de sobrecarregar quem fica, não há condições de se ter a mesma dinâmica. Resultado: você volta das férias e tem mais de 800 processos acumulados. As férias, então, parecem mais uma punição'', explica o juiz Carlos Maurício Ferreira, lembrando que os juízes não têm horário e ainda precisam fazer plantões.
Para os promotores de justiça, a situação não é diferente. ''No âmbito institucional o efeito é negativo. Trabalhamos sob muito estresse, o que reduz a produtividade. Estamos com sobrecarga de trabalho e precisando tirar 15 dias de férias, para poder intercalar com os outros. Ou seja, quando você começa a desacelerar, já tem de retornar ao trabalho, e acaba voltando mais cansado'', critica Castro.
''Se, de um lado, essa medida pode ter sido benéfica à população, não o foi ao próprio Poder Judiciário e aos advogados. Ainda que haja um recesso no fim do ano, os advogados não têm condições de ter férias, porque os prazos continuam correndo'', avalia o presidente da OAB.

mockup