Edson MazzetoUnião culturalMural no campus da Unioeste, em Cascavel, retrata integração pelo Mercosul; obra conjunta de artistas argentinos e paranaensesOs municípios participantes do Fórum Permanente Regional de Prefeitos do Mercosul (futuro Fórum Regional de Municípios) elegeram questões prioritárias na fase atual do processo de integração. Na educação, fazem parcerias para o ensino dos dois idiomas praticados no âmbito do Mercosul - como já ocorre em Cascavel e em Toledo, por exemplo -, edição de livros com uma mesma linha teórica, métodos alternativos para a aplicação de currículos, banco de dados comum e até mesmo intercâmbio de alunos e professores.
‘‘Tudo isso é possível, mesmo preservando-se diferenças naturais entre os países’’, comenta a secretária de Educação de Cascavel, Edi Volpin.
A área cultural é uma das mais avançadas na integração via interior, segundo o secretário de Cultura de Cascavel, Luiz Ernesto Pereira. Há um esforço para agregar o setor empresarial para que invista em eventos culturais, esperando um retorno de marketing.
No setor de Saúde, os municípios querem garantir assistência médica a todas as pessoas em trânsito entre os países e buscam articular-se para criar uma vigilância epidemiológica comum. A preocupação é maior no caso do sarampo, dengue e Aids. No meio ambiente, prevalecem propostas de programas para recuperação e preservação de recursos naturais.
A agropecuária é preocupação especial no interior, pois ainda é a base da economia da maioria esmagadora dos municípios. Há um grande desequilíbrio entre custos de produção e produtividade e os preços de venda estão longe de ser satisfatórios, principalmente no caso de cereais, derivados de leite e carne.
‘‘Mas não podemos ficar apenas reclamando, temos que produzir mais e com qualidade e baixar nossos próprios custos e os do chamado custo Brasil’’, observa o prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros. ‘‘O Mercosul nos estimula e nos obriga a melhorar o que fazemos, e isso em si é um ganho importante que teremos’’.
A exigência da qualidade é considerada um dos aspectos positivos da integração. O presidente da Cooperativa Central Regional Iguaçu, de Cascavel, Fábio Rosso, entende que o setor agrícola nacional não foi adequadamente considerado nos termos do Tratado de Assunção. Por isso, enfrenta dificuldades na competição, principalmente com a Argentina. ‘‘Para competir, precisamos ter agilidade, competitividade, reduzir custos e aumentar a produtividade’’.
‘‘Cada vez mais a produção nacional precisa ter qualidade internacional para competir lá fora, e aqui para enfrentar os importados’’, diz o presidente da cooperativa Coopavel, de Cascavel, Dilvo Grolli.
‘‘As queixas dos brasileiros não têm muita diferença das que manifestam agricultores de nosso país, portanto, é preciso que todos parem de reclamar e procurem se habilitar para competir bem’’, afirma o governador de Misiones, Federico Ramón Puerta. ‘‘Quem não puder produzir bem alguma coisa, deve partir para outra e abrir o espaço para o mais qualificado’’, completa.

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