Um tremor de 1.8 grau na escala Richter foi sentido por parte dos servidores lotados no prédio do Fórum localizado no Centro Cívico de Londrina e obrigou o diretor Luiz Valério dos Santos a determinar a evacuação do prédio. Santos estava em audiência na 4ª Vara Criminal quando recebeu a informação dos tremores, por volta das 14 horas. "Eu não percebi, porque estava na parte da frente do prédio e os tremores foram mais sentidos por quem estava na parte de trás do edifício. Eles escutaram um barulho e viram os monitores dos computadores tremerem", relatou.
O sorveteiro Johnatan Rogério dos Santos, que trabalha no local, relatou que as pessoas estavam assustadas e a saída do prédio foi às pressas. "Eu só vi o povo saindo e fiquei com medo do prédio cair", relatou.
Santos afirmou que, por sorte, havia um tenente do Corpo dos Bombeiros em audiência no momento dos abalos sísmicos. "Foi dele que partiu a orientação para a evacuação do prédio por precaução. Nós decidimos evacuar como medida de segurança para que a Defesa Civil pudesse fazer uma vistoria para que a gente pudesse retomar os trabalhos depois de uma análise definitiva que autorizasse isso", destacou.


O diretor relatou que não houve problemas em pilares, mas que foram constatadas rachaduras no prédio. "Eu não tenho conhecimento técnico para isso, mas a engenheira recomendou que fosse realizada uma manutenção do prédio", apontou. Ele destacou que já houve pedidos de recursos para a reforma e construção do prédio no passado e o Tribunal entendeu que não havia recursos para que isso fosse feito. Ele garantiu que os pedidos serão refeitos.
A engenheira Civil Hissae Gunji, diretora técnica da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) e integrante da Defesa Civil, disse no final da tarde que ainda não poderia dar um parecer sobre a situação do prédio, uma vez que, além da vistoria, seria necessária a análise dos projetos do prédio. Preliminarmente ela destacou que não há risco estrutural, mas constatou problemas na cobertura e no piso inferior do prédio.
A interdição e evacuação do prédio provocaram transtornos também para quem precisou dos serviços. Rosana Hilário Macena foi ao Fórum para participar de uma audiência e perdeu a viagem. No entanto, a maior reclamação era de que não havia ninguém que orientasse as pessoas sobre como proceder com o prazo vencendo. Já Alexandre Palhão trabalha em um escritório de advocacia e não pôde protocolar um documento, cujo prazo estava vencendo.
O juiz Luiz Valério dos Santos fez a comunicação da situação para a presidência do Tribunal de Justiça por telefone e posteriormente faria isso por ofício para que fosse determinada a extensão de prazos. "As audiências serão adiadas e as pessoas que foram intimadas e vieram, mas não puderam ser ouvidas, serão novamente intimadas", destacou.
Ele orientou às pessoas para que se informassem pelo telefone (43) 3572-3200 para perguntar se as atividades do Fórum seriam retomadas hoje ou não.
Houve quem não sentisse nada. O advogado Renan Augusto dos Santos estava em audiência quando uma funcionária relatou os tremores no prédio e solicitou que todos ficassem do lado de fora até que se soubesse o que havia acontecido. "Para falar a verdade, aqui, onde eu estava, ninguém percebeu. Prejudicou bastante o meu trabalho", destacou.
O geólogo e professor da UEL, José Paulo Pinese, informou que técnicos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP devem emitir, até segunda-feira, um novo comunicado sobre os tremores registrados em Londrina. O professor reafirmou que as ocorrências não são preocupantes. "Estamos vivendo um processo em Londrina de sequência de microtremores desde dezembro. A origem desses tremores está na rocha, a centenas de metros do solo, e nós vamos investigar e apurar esses movimentos", explicou. Os estudos, segundo ele, são necessários para verificar se as ocorrências resultaram de atividades naturais ou induzidas. O professor solicitou o retorno dos técnicos à cidade.
De acordo com a assessoria de imprensa da administração municipal, os funcionários não sentiram os tremores e o prédio não foi evacuado durante a tarde. Já na Câmara de Vereadores, funcionários relataram que perceberam os abalos, mas não houve danos ao prédio.(Colaborou Viviani Costa)

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