Fórum discute violência contra criança
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Curitiba 
DivulgaçãoDebateParticipantes avaliaram violência doméstica, sexual e no trânsito: 30% dos atropelamentos atingem menores de idadeCerca de quatro mil crianças e adolescentes sofrem agressão física ou sexual dentro de casa, a cada ano, em Curitiba. Os números são do serviço SOS Criança, que recebe aproximadamente oito mil denúncias por ano. Além da violência doméstica e sexual, as crianças também são um alvo fácil da violência no trânsito: 30% dos atropelamentos que ocorrem na cidade atingem menores com idade entre zero e 18 anos. As informações foram apresentadas pela Secretaria Municipal da Criança, nos dias 2 e 3 de setembro, durante o fórum que promoveu para discutir a violência contra a criança.
O evento abriu oficialmente a campanha Os Piás na construção de um mundo sem violência. Técnicos, educadores e adolescentes, que frequentam as 28 unidades do Programa de Integração da Infância e Adolescência (Piás), debateram sobre o vandalismo no transporte coletivo, a violência contra mulher, a violência no trânsito, a violência doméstica contra as crianças e adolescentes.
O serviço SOS Criança recebe denúncias sobre violência contra a criança e o adolescente pelo telefone 1407. Das oito mil denúncias recebidas por ano, cerca de quatro mil referem-se à negligência, abandono ou agressão contra crianças e adolescentes. Os técnicos dizem que em todas as classes sociais há ocorrências de violência, mas que fatores econômicos - como o desemprego - provocam o aumento da violência. Nas férias escolares, quando as crianças estão em casa, o número de denúncias sobe 30%.
O presidente da Urbs, Fric Kerin, falou sobre os prejuízos que a Prefeitura têm com as ações de vandalismo cometidas contra os ônibus e estações tubo. Já gastamos, só nos primeiros seis meses deste ano, cerca de R$ 100 mil na recuperação de equipamentos. Durante todo o ano passado, os prejuízos não ultrapassaram R$ 82 mil., revelou.
Para inibir as ações dos vândalos, a Urbs firmou um acordo com o Ministério Público, a Delegacia do Menor Infrator e a Delegacia de Costumes para que sejam aplicadas penas alternativas para os adultos e adolescentes que cometem vandalismo contra ônibus e estações tubo.
Durante sua palestra, a presidente do Conselho Municipal da Mulher alertou os adolescentes sobre a educação machista que as próprias mulheres reproduzem em seus filhos. Nós mulheres somos as principais atingidas por esta educação, mas também temos nossa parcela de responsabilidade. Precisamos nos conscientizar sobre a importância de reverter estes valores e criar uma sociedae mais justa e equilibrada. A educação, no meu entender, é a grande chave para a solução deste quadro, afirmou.
A violência no trânsito também esteve ma pauta. Na palestra feita por Iraci Isabel Rocha, responsável pela Divisão de Educação para o Trânsito do Detran, o condutor do veículo particular é o grande vilão do trânsito. A via pública é um espaço muito disputado e o motorista infrator não respeita o direito dos outros usuários do trânsito como os pedestres, ciclistas, catadores de papel e motociclistas, disse.


