Fórum discute preservação do Rio Paraná
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Guaíra Construir um plano diretor capaz de garantir a preservação e o desenvolvimento sustentável do remanescente do Rio Paraná. Com a participação de entidades ambientais estaduais e federais, Guaíra (158 km ao norte de Cascavel) está sediando desde ontem um fórum de discussão sobre os problemas que afligem as áreas não represadas do rio. O encontro, que prosseguirá até amanhã, no auditório da Universidade Paranaense (Unipar), contou ontem, entre outras autoridades, com a presença do diretor de coordenação da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich.
''Com este plano diretor, teremos condições de ver o que queremos e o que poderá ser feito para a região. Nossa intenção é discutir ações para o desenvolvimento do remanescente e, mais do que isso, tirar o plano do papel e colocar na prática'', avaliou o geógrafo José Antonio Demétrio, responsável pela Base Avançada de Pesquisa (BAP) do Ibama, em Paranavaí. O fórum é organizado pelo Consórcio Intermunicipal para Conservação dos Remanescentes do Rio Paraná e Áreas de Influência (Coripa), que contempla os municípios de Altônia, Guaíra, Icaraíma, São Jorge do Patrocínio e Vila Alta.
O Parque Nacional de Ilha Grande, uma unidade de conservação e proteção integal, com uma área de aproximadamente 78.875 hectares, situado na divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul, absorve grande parte dos remanescentes do Rio Paraná. Alguns trechos, formados por arquipélagos fluviais (centenas de ilhas) e uma longa faixa de várzea, também integram partes do rio sem os efeitos da construção de usinas hidrelétricas.
Ponto central da pauta de discussão, o fórum pretende elaborar também as diretrizes que devem nortear a prática da pesca profissional e amadora na região. ''A questão da pesca profissional é muito delicada, porque mexe com a cultura dos pescadores. Ninguém quer impedir ninguém de pescar, de ganhar a vida com a pesca, mas nossa intenção é fazer um trabalho de orientação, evitar a pesca predatória com o uso de tanques-redes'', ponderou o geógrafo do Ibama. Hoje, um painel debaterá o tema Pesca Sustentável, com a participação, entre outros especialistas, de Sandro Pereira, chefe da Área de Preservação Ambiental do Rio Paraná, e de Jaqueline Campos, Coordenadora de Ordenamento Pesqueiro do Ibama.
Atualmente, o remanescente do rio sofre a pressão de diversas atividades econômicas, além da pesca, como a navegação, mineração e atividades industriais e agropecuárias. Segundo Demétrio, embora estas atividades contribuam de uma certa forma para o desenvolvimento da região, elas precisam de um reordenamento para que se tornem sustentáveis. ''Daí a importância de um plano diretor, que vai construir diretrizes e nortear as ações para o futuro. Através de painéis e mesa redonda, tentaremos encontrar soluções para resolver estes problemas''.
O fórum vai debater ainda outros temas, entre eles os efeitos das grandes barragens, as atividades do entorno e o repovoamento de áreas lindeiras.


