Fórum discute a estratégia da reforma agrária na região
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quarta-feira, 26 de março de 1997
Adriana De Cunto 
Como agilizar a reforma agrária na região de Londrina? Essa foi a pergunta que um grupo formado por representantes de vários segmentos da sociedade tentaram responder ontem, durante a primeira reunião do Fórum Permanente de Reforma Agrária.
Eles ficaram reunidos durante todo o dia no prédio do antigo IBC (Instituto Brasileiro do Café), no bairro Aeroporto (zona leste), discutindo estratégias para levar adiante o processo na microrregião de Londrina, formada por 29 municípios. O Fórum Permanente de Reforma Agrária foi instalado no último dia 10 e veio ao encontro da nova proposta do governo federal de descentralizar a reforma agrária, contando com uma participação mais efetiva dos municípios.
A coordenadora e idealizadora do Fórum, vereadora Elza Correia (sem partido), comemorou a participação de pessoas ligadas diretamente ao problema, como representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Movimento dos Sem-Terra (MST), Sociedade Rural do Paraná, pequenos proprietários rurais, além de representantes da prefeitura de Londrina, Câmara dos Vereadores, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, Instituto Ambiental do Paraná, Universidade Estadual de Londrina e Polícia Militar.
Para a vereadora, quanto maior o envolvimento da sociedade nas reuniões do Fórum, mais rápidas serão elaboradas as soluções para agilizar a reforma agrária e melhorar a vida dos trabalhadores sem-terra acampados na zona rural de Londrina e municípios vizinhos.
A reunião começou com uma exposição do assessor da superintendência do Incra no Paraná, Osvaldo Euclides Aranha. Ele parabenizou a iniciativa da Câmara de Vereadores de Londrina em criar o Fórum, lembrando que a idéia é inédita no Brasil. É um avanço significativo para trazer a paz para a região.
Osvaldo Aranha disse que, pela última pesquisa do Incra, na região de Londrina, apenas 1,8% das propriedades rurais podem ser consideradas grandes e improdutivas. Já na área formada pelas cidades de Ortigueira, São Jerônimo da Serra, Faxinal e Marilândia do Sul há 145 propriedades classificadas como grandes e improdutivas. Contando as propriedades localizadas nos quatro municípios e mais as de Londrina, Aranha informa que são 140 mil hectares passíveis de reforma agrária, possibilitando o assentamento de oito mil famílias de agricultores sem-terra.
Um dos principais problemas levantados na reunião de ontem foi a composição da cesta básica concedida pelo Incra, através da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), para os sem-terra acampados. A cesta é composta apenas de arroz, feijão, farinha de milho e de mandioca, e mesmo assim não chega a todos os sem-terra acampados. Aqueles que ocupam áreas contestadas juridicamente pelos proprietários não recebem. A idéia dos integrandes do Fórum é realizar campanhas para tentar arrecadar outros tipos de alimentos e reforçar a cesta.
A Sociedade Rural e o MST firmaram um acordo, no último dia 16, que garante a paz na região de Londrina até o dia 30 de julho. Enquanto o MST promete não promover novas invasões de propriedades rurais, a SR abre mão da Vigilância Rural, que seria feita por homens armados, e apresenta ao Incra os documentos das propriedades ofertadas pelos fazendeiros. Pelo acordo, o MST também reduziu de cinco mil para dois mil o número de famílias de sem-terra que vão participar de um acampamento gigante em Londrina. Ao Incra cabe garantir a desapropriação de áreas para o assentamento de 2 mil famílias.
Participaram da reunião, entre outros, a secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel Nascimento; o secretário de agricultura, Samir Curi; vereador Antônio Ursi (PT); Edson Deliberador, Terezinha Santos e Gilberto Santos, da Sociedade Rural; Pedro da Silva Bonfim, do MST.


