Fórum debate o desafio da leitura
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terça-feira, 12 de abril de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ainda que não se carregue nos bolsos pó de pirlim-pim-pim, como no Picapau Amarelo reino do seo Monteiro Lobato com um par de botas, uma carapuça e um espelho é possível viajar o mundo inteiro montado na imaginação. Quer ver só?
''Botas me levem, carapuça me esconda e espelho me mostra o lugar''. A leitura faz isso com a gente, que mesmo sem saber o enredo completo dessa história, pega carona no comichão para descobrir o ponto final das aventuras do personagem, autor da frase intrigante, que segura firme na nossa mão para viajarmos pelo mundo.
Para encontrar o melhor caminho que leve os estudantes até esse e outros personagens e suas aventuras através dos livros, educadores têm que enfrentar monstros e vilões de cara feia, como a falta de interesse dos alunos e o preço dos livros. Enfim, um desafio para qualquer herói.
No último final de semana, no Hotel Sumatra, em Londrina, representantes de 20 escolas particulares e da rede pública de ensino participaram do I Fórum Educacional, com o tema: ''Como desenvolver o hábito de leitura''. O evento foi promovido pelo Kumon Instituto de Educação, filial Londrina. Criado em 1954, no Japão, pelo professor Toru Kumon, inicialmente para ensinar matemática, o método pôs os pés também nas disciplinas de inglês, japonês e português, língua que oferece literatura recomendada para os alunos.
''Em cada estágio do método existem livros que recomendamos para que nossos alunos tenham capacidade de ler, interpretar e fazer síntese. Ao verificarmos que o estudante leu e sabe interpretar o assunto, atingimos o nosso objetivo'', explicou o gerente do Kumon de Londrina, Dimas Tadeu.
O trabalho de formiguinha dos educadores Brasil afora em favor da leitura está colaborando para comprovar o resultado de uma pesquisa recente do Ministério da Cultura (MinC), que aponta um crescimento de 48% no mercado editorial brasileiro em 2005 sobre 2004, projetando investimentos de R$ 240 milhões.
Viajando na carrugem da Cinderela ou num submarino a tantas mil léguas de casa, os alunos de escolas como a municipal Professor Moacyr Teixeira, no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), desembarcam na terra em que só pisa a imaginação.
Alimentados por projetos como ''Hora do Conto'', realizado uma vez por semana, através da dramatização das histórias com fantoches e máscaras, os 850 alunos das 26 turmas de pré-escola à 4 série do ensino fundamental saem com as cabecinhas cheias de fantasia.
É um passo para pularem dentro do baú de invencionices o livro , que às sextas-feiras é aberto nas salas de aula. ''Cada baú tem 60 livros infantis. Esse é o Momento da Leitura, como chamamos o projeto. Durante 15 minutos no mínimo, alunos, funcionários e professores param para ler'', contou a professora-auxiliar Vanessa Pelizaro.
De conto em conto e com a troca de experiências entre educadores, a exemplo da iniciativa do Kumon, no Ano Ibero-americano da Leitura os estudantes são incentivados ao passeio por projetos que despertam o interesse pelas páginas cheias de letras... calçando o par de botas, vestindo a carapuça e pedindo para o espelho mágico da imaginação mostrar qual o próximo lugar do desembarque nas aventuras de um novo livro.


