Fórum condena construção de usina termoelétrica a carvão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Marcelo AlmeidaCasagrande Junior: Idéia de construir a usina é completamente absurdaO projeto de instalação de uma usina termoelétrica a carvão no litoral paranaense (provavelmente em Paranaguá) foi condenado pelos participantes do fórum Matriz Eletroenergética e as Consequências da Opção Termoelétrica, que termina hoje na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Temos subsídios suficientes para afirmar que a idéia da construção da usina é completamente absurda, tanto do ponto de vista ambiental, como social e econômico, disse o professor Eloy Casagrande Junior, doutor na área de energia e meio ambiente e um dos coordenadores do fórum.
Na próxima semana, os organizadores do evento devem elaborar um manifesto e um abaixo-assinado em repúdio ao projeto. O documento deve ser enviado ao governador Jaime Lernera e à Copel - que desenvolve os estudos de viabilidade da usina em parceria com os grupos privados Inepar, Chilgener e Denerge.
Especialistas que participaram do evento observaram que o Paraná já é superavitário em energia elétrica (consome cerca de 40% da energia produzida no Estado) e que a usina traria riscos ao meio ambiente do litoral. Segundo o professor Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a tecnologia que seria utilizada no empreendimento não é a melhor para o controle de emissão de poluentes, ao contrário do que vem sido divulgado pelas empresas envolvidas no projeto. Para utilizar tecnologia de ponta no setor, 50% dos custos para construção da usina teriam que ser aplicados em mecanismos de combate à poluição.
A decisão da Copel de não participar do evento, apesar de seus técnicos terem sido convidados, foi criticada pelo reitor da UFPR e por palestrantes do fórum. A empresa alegou que não poderia participar porque o Relatório de Impacto Ambiental ainda não foi concluído e, portanto, não haveria subsídios para a discussão. A assessoria de imprensa da Copel deve divulgar hoje uma posição da empresa sobre o assunto.
Há cerca de um mês, a Justiça Federal acatou ação civil pública elaborada em conjunto pelo Ministério Público Federal e Estadual contra a construção da usina. Com isso, a implantação do empreendimento também dependerá de autorização da Justiça.


