Da Redação
Com a aprovação de um documento final, foi encerrado na noite de anteontem o Fórum de Direitos Indígenas – Agenda para o Século XXI, organizado em Londrina pelos departamentos de Ciências Sociais e de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), juntamente com a Coordenação Geral de Defesa dos Direitos Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai).
O evento, iniciado segunda-feira, estava previsto para terminar ontem. Mas a impossibilidade da vinda de alguns participantes ao Fórum, entre eles o líder indígena Marcos Terena, levou os organizadores a antecipar a aprovação do documento final. ‘‘A valorização dos povos indígenas e de todos os agentes envolvidos de uma forma solidária com as lutas das comunidades indígenas, a respeito de seus direitos constitucionais, foi a grande síntese que se pode sentir’’, afirmam os participantes do evento na introdução do documento.
Em outro trecho, destacam que ‘‘o desenvolvimento econômico e o progresso não podem ser justificados quando promovem danos ao ambiente e consequências sócio-culturais negativas para as populações não-indígenas e, principalmente, aos povos indígenas que possuem um vínculo forte com a terra onde vivem’’. A questão das hidrelétricas que podem ser construídas no Rio Tibagi, cujo nome indígena é ‘‘venh róg’’, também foi enfatizada no documento.
Na abertura do Fórum, os participantes debateram a possível extinção da Funai pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Azelene Krig Inácio, da Coordenação Geral de Defesa dos Direitos Indígenas da Funai de Brasília, o governo federal estaria esvaziando o trabalho do órgão.
‘‘A Funai é um órgão que merece ser repensado. A política indianista merece ser repensada. Mas pedimos várias vezes audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso e ele diz que é impossível nos receber’’, informa Azelene, que participou do evento representando o índio Marcos Terena.

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