Forros de casas ameaçam desabar em Cambé
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Cambé - De longe o problema já preocupa. As telhas estão rebaixadas e, dentro da casas, o cenário é ainda mais preocupante. Com a infestação das brocas e o acúmulo do material decomposto por elas no forro, basta qualquer soco na cobertura que o amontoado do pó amarelado cobre os móveis e os moradores. É neste ambiente incômodo e ao mesmo tempo assustador, visto que a qualquer momento a cobertura pode se romper, que moradores do Conjunto Doutor José dos Santos Rocha, em Cambé, Região Metropolitana de Londrina, estão vivendo.
O conjunto habitacional, localizado na área central, foi construído pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) há 17 anos, mas nos últimos cinco o problema tem se agravado. Das 303 residências do bairro, que têm cerca de 50 metros quadrados, pelo menos 120 estão com problemas de infestação pelas brocas, segundo levantamento da própria companhia. Para conseguirem viver sem a angústia constante de que parte do teto caia sobre suas cabeças, os próprios moradores estão trocando a estrutura de madeira.
"Somando o material e a mão de obra, eu já gastei cerca de R$ 10 mil para trocar isso tudo. Dinheiro que eu não tinha, mas que tive que levantar por meio de um empréstimo, já que até agora nem a prefeitura e a Cohapar fizeram nada pela gente", desabafa a empregada doméstica Vilma Damásio Mazeron, moradora da Rua Romanos há 12 anos. "Eu vivia apavorada com a possibilidade de que o teto se soltasse e acabasse caindo na cabeça de uma das crianças."
O segurança Luiz Soares da Silva é morador do bairro há pelo menos 15 anos. Ele explica que fez uma aplicação de inseticida, que não resolveu o problema. Desanimado com a situação, Silva salienta que a única solução que vê é também trocar todo o forro da casa. "Preocupado a gente fica, porque com essa chuva o teto fica mais pesado e o risco da cobertura cair é ainda maior, mas não tenho dinheiro para fazer a reforma agora. Teria que vender meu carro e minha moto", acrescenta.
Na casa do agente de segurança Levi e da esposa Orivalda de Oliveira até mesmo as portas dos quartos e parte da estrutura da cobertura da garagem foram trocadas, mas não foi o suficiente para solucionar o caso. "A gente está esperando agora o que foi prometido na época de eleição. Disseram que na época da construção das casas a Cohapar foi responsável pela compra dos lotes de madeira comprometida, mas que eles fariam essa troca ou nos repassariam o dinheiro, mas até agora nada. Enquanto isso, a gente vai vivendo respirando esse pó da madeira em toda a casa", completa.
Foi este acúmulo do pó da madeira espalhado por todo o ambiente que acabou desencadeando crises de bronquite e rinite na dona de casa Maria Sebastiana e em três filhas. De acordo com Maria, moradora da Rus Colossenses há 15 anos, o problema da família é o mesmo dos outros vizinhos: as brocas já atingiram o forro de dois quartos, da sala e do banheiro. "Estou muito preocupada, principalmente por causa dos meus netinhos. A gente tem que ficar arrastando a cama para os locais onde a situação está não está tão ruim para que o pó não caia em cima deles", conta.
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