Muitas mulheres buscam ficar mais bonitas nessa época do ano, quando o calor do verão exige mais a exposição do corpo. Para algumas, começar a mudar o visual pelo cabelo é um dos primeiros passos. A questão é: até que ponto as mulheres estão dispostas a arriscarem a saúde para alcançar a beleza almejada? Empolgadas, muitas apostam na escova progressiva para garantir um cabelo mais liso, mas, algumas não sabem ou se esquecem que o procedimento - que conta com a aplicação de uma quantidade de formol - pode ser seriamente prejudicial à sa©úde.
Com o objetivo de mudar radicalmente o visual, a estudante universitária Camila Garcia, foi parar no hospital no mês passado depois que uma amiga aplicou em seu cabelo o produto de alisamento misturado com uma grande quantidade de formol. Segundo ela, depois de quatro horas com o produto na cabeça, ela começou a passar mal e precisou ser socorrida por uma médico.
''Meu cabelo era comprido, ia até as costas, então cortei curtinho e resolvi alisar. Eu já tinha feito a escova progessiva antes e não tinha acontecido nada, mas dessa vez foi colocado mais formol que a quantidade normal. Tive dor de cabeça, tontura e cheguei a vomitar. No hospital o médico mandou eu lavar a cabeça imediatamente, me deu soro e um antialérgico'', disse.
No início do ano passado, uma dona-de-casa de 33 anos, morreu intoxicada três dias depois de ter feito uma escova progressiva em Goías. Segundo a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o órgão não registra alisantes capilares que tenham como base o formol em sua fórmula. A substância só tem uso permitido em cosméticos nas funções de conservante (limite máximo de uso permitido 0,2%) e como agente endurecedor de unhas.
O fiscal da Vigilância Sanitária de Londrina, Márcio Adriano Porfírio da Silva, disse que o formol é considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Apesar disso, não há nenhuma determinação que proiba a comercialização do produto em farmácias, o que facilita ainda mais que esse tipo de substância chegue facilmente à qualquer pessoa. A reportagem da FOLHA consultou algumas farmácias de Londrina e constatou que um vidro de 100 ml de formol pode ser adquirido por apenas R$ 1,90.
Apesar disso, a Anvisa está alerta e quer discutir com a sociedade a restrição do acesso a essa substância. A assessoria do órgão informou também que a venda direta de formol ao consumidor poderá ser proibida. Desde o dia 26 de dezembro, o assunto está em consulta pública no site da agência (www.anvisa.gov.br). A proposta, que poderá resultar em uma resolução, prevê a proibição da exposição à venda ou entrega ao consumo do formol no varejo e torna o descumprimento uma infração sanitária. ''Hoje, se recebemos alguma denúncia ou constatamos durante fiscalização algum salão utilizando o formol, dependendo do caso, podemos proceder com aplicação de advertência, multas ou até mesmo a interdição do estabelecimento'', disse Márcio.
Preocupada com os riscos em fazer a escova progressiva em alguma cliente, Mercedes Ferreira, proprietária do Centro de Estética Bella Center, localizado na Zona Oeste de Londrina, não realiza o procedimento, mesmo quando há demanda. A profissional, que há anos atua na área de estética e que já realizou diversos cursos sobre tratamentos capilares, alertou que a escova progressiva proporciona vários problemas para as mulheres.
''Sabemos que ocorrem diversos problemas como irritação no couro cabeludo, quebra do cabelo sem contar o mal que o formol faz à pessoa. É comum chegar até nós, diversas clientes para realizarem tratamentos no cabelo em busca de 'consertar' o estrago que já foi feito pela escova progressiva'', disse.
Mercedes contou que sua filha de 29 anos, que trabalha com ela no salão, também passou por uma experiência negativa com a escova progessiva. ''Uma pessoa veio até o salão para vender o produto e se propôs a passar no cabelo dela para que a gente pudesse conhecer. Ele disse que não tinha formol, mas logo percebemos que tinha pois todos aqui de casa passaram mal. Minha filha ficou com os olhos lacrimejando e com falta de ar. Além disso, seu cabelo ficou todo quebrado e até hoje, quase um ano depois, ainda fazemos tratamento para que o cabelo dela volte ao normal''.

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