Arquivo FolhaVencendo desafioAdultos das primeiras turmas do assentamento próximo a Lerroville, distrito de Londrina: altos índices de aprovação Cerca de 600 alunos que participam do Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos dos Assentamentos de Trabalhadores Rurais estão fazendo as provas do Exame de Equivalência, do Departamento de Ensino Supletivo da Secretaria Estadual de Educação. E, no próximo dia 7 de dezembro, todos os alunos do Curso de Ensino a Distância estarão participando da quarta e última etapa de avaliação tanto para 1º como para 2º grau.
Pela segunda vez este ano, os alunos que moram em assentamentos regularizados no Paraná farão provas e terão a oportunidade de receber o certificado de conclusão da 4ª série do 1º grau. O número de estudantes interessados em fazer os exames é considerado representativo pelos coordenadores do programa. Nas provas realizadas no final do primeiro semestre, 116 alunos fizeram o teste e 106 foram aprovados. O resultado surpreendeu o Departamento de Ensino Supletivo da Secretaria de Educação, pois representa um índice de mais de 90%. Os resultados nos exames realizados agora serão divulgados até o final do ano.
O programa, também chamado de Gente da Terra, é resultado da parceria entre a Secretaria Estadual da Educação e a Associação Nacional de Cooperação Agrícola do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná. Desde o início do projeto, em 1995, foram implantadas 100 turmas em 25 municípios onde há assentamentos regularizados. São 2 mil alunos começando ou retornando aos estudos, todos com mais de 14 anos.
Além dos jovens e adultos, mais de 15 mil crianças, filhos de trabalhadores rurais sem-terra, estudam nas 211 escolas instaladas em 128 acampamentos. Com isso, mais de 7 mil famílias estão sendo beneficiadas. Os professores que dão aulas para crianças de 1ª a 4ª série também participam do Programa de Habilitação de Professores Leigos, já que a maioria deles não tem qualquer capacitação profissional.
As aulas são dadas por monitores (professores) escolhidos pela comunidade e que conhecem a realidade do acampamento onde atuam. Eles são referendados pela Secretaria de Educação e, 70% sendo leigos, participam do Programa de Habilitação ou cursam o supletivo municipal.
CertificaçãoNo início, o programa se propunha apenas a alfabetizar, mas agora estimula os participantes a buscar o certificado e a continuidade dos estudos. ‘‘Os índices de aprovação são altos e os assentados que prestam as provas e são aprovados estão dando prosseguimento à sua formação. Depois da implantação do projeto houve uma conscientização de que só a alfabetização não é suficiente. É preciso também a certificação’’, conta o coordenador do programa, Leonildo Brustolin. A Secretaria de Educação já estuda a possibilidade de implantar salas de 5ª a 8ª série nos assentamentos.
Todo o material didático utilizado é proposto pela Secretaria de Educação, mas o MST tem autonomia para definir os livros que serão adotados e outro tipo de material. Ná prática, jovens e adultos têm acesso a todo conteúdo oficial das disciplinas previstas nos currículos de 1ª a 4ª série, mas cabe ao monitor da turma a escolha da melhor maneira para ensinar determinado assunto - com a mesma liberdade de qualquer outro professor.
A definição sobre o melhor momento para o aluno fazer a prova depende também do monitor, mas a vontade do aluno prevalece, pois ele precisa se sentir preparado para fazer o teste.

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