Formandos temem calote milionário
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terça-feira, 29 de novembro de 2005
Guilherme Gouveia e Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O sonho de realizar uma grandiosa festa para marcar a conclusão de um curso superior pode não se tornar realidade para 16 turmas do último ano de universidades de Londrina. Dois estudantes já procuraram a Polícia Civil por temerem que a empresária contratada para realizar as comemorações tenha fugido da cidade levando consigo todo o dinheiro já pago. Outras turmas disseram que se ela não for encontrada até o final de semana também vão formalizar suas queixas na delegacia. Segundo alguns formandos, o prejuízo total pode chegar a R$ 1 milhão.
Ontem pela manhã, a presidente da comissão de formatura da turma do 4º ano de enfermagem da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Eliane da Silva Souza, esteve no 1º Distrito Policial (área central) onde assinou um termo de declaração que deverá ser analisado pelo delegado titular, Davi Passerino, até amanhã. Uma outra estudante já havia tomado a mesma decisão na semana passada.
À Folha, Eliane explicou que a festa está marcada para o dia 18 de fevereiro de 2005 e que a turma já teria pago pelo menos R$ 10 mil. Na semana passada, no entanto, ela desconfiou que havia sido vítima de um golpe porque não conseguia contatar a empresária, que teria boas referências e experiência no ramo. ''Passei 15 dias tentando agendar com eles nossa missa ecumênica, mas não consegui falar com ninguém. Comecei a desconfiar e procurei meu advogado. Ele disse que a história tinha cara de golpe'', contou.
A estudante contou ainda que entregou recentemente à empresa contratada por volta de R$ 5,5 mil, quantia referente à primeira parcela do pagamento da banda, do buffet e do salão do baile. ''Quando desconfiei do golpe, liguei para a banda, mas nosso baile não constava na agenda deles. O buffet também alegou que não tinha recebido nada'', contou. Outros três formandos que estavam inadimplentes também teriam pago à empresária o valor de R$ 1,8 mil cada um.
Eliane decidiu registrar queixa porque teme ser processada pelos colegas. Ontem à noite, acompanhada de professores e coordenadores de curso, ela comunicaria o fato à turma. ''Estou com medo de ser responsabilizada, porque fui tão lesada quanto eles'', afirmou. Eliane disse ter conhecimento de outros calotes dados pela empresa: ''Ouvi falar que o golpe pode passar de R$ 1 milhão e que envolve turmas de direito, odontologia e medicina''.
Sem se identificar, uma estudante do último ano da Universidade Estadual de Londrina (UEL) disse já dispor de provas que caracterizariam o calote. ''Vários pagamentos foram passados em cheques para ela repassar para buffets, bandas. Só que ligamos para esses locais e ela não fez os pagamentos'', contou. Sua turma pagou mais de R$ 30 mil. Segundo ela, a mesma empresária teria sido contratada por 16 turmas de formandos. Uma outra estudante que também preferiu o anonimato apontou que sua turma deve registrar queixa nos próximos dias, porque investiu mais de R$ 140 mil. ''A gente está esperando um pouco para ver se ela volta e reabre a agência'', comentou.
A Folha constatou que a sede da empresa permanece fechada há pelo menos duas semanas e que é grande o movimento de estudantes que procuram o escritório todos os dias. A reportagem também telefonou para a empresária mas ninguém atendeu as ligações. Como ainda não existe indiciamento, a Folha omitiu o nome da empresária e da empresa.


