''Formando uma nova polícia''
Curitiba - O comandante da Polícia Militar do Paraná, coronel David Pancotti, disse que está trabalhando para evitar que a violência policial continue sendo uma prática comum em pelotões e batalhões de todo o Estado.
Esta semana, Pancotti recebeu a reportagem da Folha e mostrou os livros que estão servindo como base para uma nova conduta policial militar e que deverão ser usados até mesmo dentro da Academia Policial Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Entre os títulos que ele está analisando estão ''Atividade Policial e o Confronto Armado'' e ''Programas de Combate à Violência Urbana no Mundo Afora''.
''Estamos buscando os motivos que levam à violência policial. Estou tentando verificar o que tem acontecido na rua. A verdade é que o policial militar tem que estar preparado para todo tipo de situação no dia a dia e para não deixar que essa situação saia do seu controle. Temos que continuar tentando fazer sempre as coisas de forma correta, fazendo todas as avaliações necessárias, realizando cursos para coronéis e soldados. A idéia é pensar numa nova polícia, moderna e eficaz'', ponderou Pancotti. Para o comandante, uma das vitórias nessa luta é a exigência de que todos os policiais novos tenham pelo menos o 2º grau completo. Um quarto da tropa, composta por 16 mil homens, tem ensino superior.
Pancotti determinou que as portas da Academia e do Sistema de Assistência Social (SAS) fossem abertas para a reportagem da Folha. Na Academia Policial Militar do Guatupê, cerca de 600 policiais militares fazem cursos de formação ou aperfeiçoamento. Na grade curricular (que foi citada e não apresentada formalmente) estariam disciplinas como eireitos humanos, polícia comunitária, sobrevivência policial, cidadania, polícia interativa, ética, uso legal da força, direito penal e processo penal. ''Os policiais militares são constantemente ensinados a promover a tranquilidade e a paz pública. Debatemos constantemente o trato com o público, a postura e o comportamento policial'', afirmou o capitão João de Paula Carneiro Filho.
Três estagiárias de psicologia acompanhariam os trabalhos internos da tropa para verificar os desvios comportamentais. ''Eles (os policiais) saem daqui preparados, com certeza. Até por conta das disciplinas que são apresentadas'', analisou Carneiro. O curso de soldados, por exemplo, tem cerca de 1,3 mil horas/aula (cerca de seis meses de formação). Eles entram recebendo cerca de R$ 841 por mês (vencimento bruto, sem os descontos na folha). As técnicas de abordagem seriam mostradas em todos os cursos de formação. Os soldados teriam que fazer a parte prática e participar de estágios na segurança de shows, eventos especiais, futebol.(L.P.)





