Formação de radiologistas divide profissionais da área
Emerson Gonçalves
Especial para a Folha
De Curitiba
Embora o Paraná esteja defasado em termos de profissionais para a área de radiologia, a qualificação nesta área tem gerado muita discussão e desentendimento entre o Sindicato dos Técnicos de Radiologia do Paraná e aEscola Técnica da UFPR. Segundo o presidente da entidade sindical, João Cândido Ribeiro Filho, a carga horária do curso de radiologia oferecido pela Escola Técnica está abaixo do permitido em lei, o que pode trazer prejuízo não só para o futuro profissional mas como a população que usa esse recurso para exames médicos. Isto porque um paciente acaba se expondo mais tempo à radiação dos equipamentos quando, por motivos de falha profissional, o exame precisa ser repetido, entre outros aspectos, destaca.
Para João Cândido, a formação dada por algumas escolas do gênero seria a principal causa desse tipo de ocorrência. O curso da Escola Técnica tem a duração de apenas um ano e meio quando o correto seriam três anos, sendo inclusive suprimido o estágio, completa.
A ação do sindicato contra a Escola Técnica e o Conselho Regional de Radiologia entidade que Cândido acusa de conivente está sendo analisada pela 4ª Vara da Justiça Federal. O dirigente afirma que a atitude baseia-se no Artigo 2º, inciso 1º da Lei 7.394 de 29 de outubro de 1985, que regulamenta a formação dos profissionais da área.
A diretora da Escola Técnica, Edilomar Leonart, rebate os argumentos de Cândido e aponta que curso ministrado pela instituição está devidamente autorizado pelo Ministério da Educação (MEC). Ela diz que antes de ser criado o curso, foram visitados outros centros de treinamento, como em Uberaba (MG) e São Paulo par evitar problemas de conteúdo e de carga horária na elaboração do currículo. A ação do sindicato leva em conta a habilitação para tecnólogo (nível superior) que é de 2,6 mil horas no mínimo, sendo que para técnico de nível médio a carga é de 1,4 mil horas, rebate. Cândido, por sua vez, volta discordar dizendo que a função de tecnólogo não existe efetivamente e que este é apenas mais um argumento para contestar a ação.
A Folha entrou em contato com a direção do Conselho Regional de Radiologia durante três dias para saber sua versão dos fatos, mas até o final da tarde de ontem, os diretores da entidade não haviam retornado a ligação.
Defasagem Alheio a toda a discussão, o professor João Tilly, do Departamento do Curso de Radiologia do Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet-PR) aponta que hoje existem cerca de 1,2 mil profissionais do setor no mercado de trabalho paranaense, sendo que o estado poderia comportar pelo menos 3 mil.
Dos que atuam, muitos não são preparados, se limitam a apertar botões dos equipamentos mais por condicionamento do que conhecimento de causa, diz Tilly. Para o educador, o radiologista deve reunir vários aspectos em sua formação como conhecimentos de física, biomedicina, matemática e principalmente ética profissional.





