A população de Bocaiúva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, não fala de outra coisa. Todo mundo quer saber o que foi que causou, em poucas horas, o aparecimento de três crateras de até quinze metros de profundidade e o desaparecimento de um açude com um milhão de litros de água e três mil peixes, na localidade de Salto de Santa Rita, a oito quilômetros do centro do município.
Geólogos que estiveram no local, ontem de manhã, descartaram a hipótese de abalo sísmico. Segundo eles, trata-se de um fenômeno localizado, produzido ao longo do tempo com a dissolução do mármore existente no solo por infiltrações de água. Eles também acreditam que possa ter havido o abatimento do teto de alguma caverna subterrânea. Para eles, este é um fenômeno localizado, que pode se alastrar no máximo por trinta metros.
A Defesa Civil, que esteve no local, ontem, a chamado da Prefeitura de Bocaiúva do Sul, entretanto, orienta a população para que não transite pela região por algum tempo. O prefeito Élcio Berti diz que poderá, inclusive, interditar a área, caso se verifiquem novos afundamentos.
Técnicos da Sanepar também estiveram em Bocaiúva na sexta-feira, e descartaram a possibilidade de haver alguma ligação entre o ocorrido em Bocaiúva e os afundamentos de terra registrados em Colombo e Almirante Tamandaré. Nestes dois municípios, os afundamentos foram consequência da perfuração, que vem sendo feita pela Sanepar, do lençol subterrâneo de água. O tenente Luiz Carlos Gonçalves de Lima, da Defesa Civil, lembra, entretanto, que um laudo técnico final ainda será elaborado pelos órgãos competentes do governo do Estado, após analisarem todas estas avaliações.
‘‘Eu só ouvi uns estalos, acho que eram as raízes das árvores que estavam estourando’’, diz João Dirceu Colette, 55 anos, que foi quem achou as crateras na noite de quinta. Vizinho do sítio onde aconteceram os afundamentos, ele diz que está com medo que o mesmo aconteça em sua propriedade. As crateras estão em uma região de floresta virgem. Na mais funda, de 15 metros de profundidade, chegou a engolir pinheiros finos. O desaparecimento do açude assusta ainda mais. ‘‘Em questão de horas a barragem cedeu, a terra desceu e junto com a terra a água foi junto. E para onde foi toda esta água e toda esta terra?’’, questiona o prefeito. Mas ele está convencido de que trata-se de petróleo. ‘‘Eu sempre soube que o futuro do Brasil ainda seria Bocaiúva’’, diz.

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