Se por um lado os estabelecimentos são negligentes em admitir o uso improvisado e perigoso da rede elétrica, por outro a falta de fiscalização e a burocracia também contribuem para permitir que a situação se alastre impunemente. Na tentativa de obter resultados mais efetivos, o município deu início, há dois meses, a forças-tarefas em locais de grande concentração de comércio. Segundo o secretário da Ordem Urbana e Rural, Wanderley Batista, o resultado do trabalho realizado isoladamente pelos fiscais não vinha sendo satisfatório.
Batista informou que as fiscalizações não têm como foco a rede elétrica, mas se alguma infração for constatada a olho nu, os bombeiros são comunicados. Ele admitiu que, no caso dos camelódromos, a administração tem sido ausente. ''As infrações existem, e todos nós somos responsáveis''. Ele afirmou que os shoppings populares não estão na lista de locais a serem visitados pela força-tarefa, mas não descartou a possiblidade de incluí-los.
O gerente do Departamento de Receita da Copel em Londrina, Claudio Aires, informou que a responsabilidade da concessionária vai até o ponto de entrega da energia (ou entrada de serviço), que deve ser feita com a devida segurança operacional. ''A forma como a energia é utilizada dentro do estabelecimento é responsabilidade do consumidor.''
O gerente regional Crea em Londrina, Jéferson Cruz, explicou que o órgão fiscaliza apenas o exercício profissional do engenheiro responsável pelo projeto da rede elétrica. ''No caso dos camelódromos, não seria atribuição do Crea fiscalizar, a não ser em caso de reforma, ampliação ou alteração nas instalações elétricas.''
Segundo o tenente Leonardo Mendes dos Santos, do setor de Comunicação Social do Corpo de Bombeiros de Curitiba, a corporação é responsável pela fiscalização de itens de prevenção e combate a incêndios, mas a regularidade destas vistorias depende da demanda local de cada cidade.
De acordo com o tenente Rodrigo Nakamura, do 3º Grupamento de Bombeiros de Londrina, 80% dos incêndios em edifícios residenciais e comerciais são causados por problemas nas instalações elétricas. Ele admitiu que atualmente não existem mecanismos eficazes para a fiscalização desse problema. ''Aguardamos a regulamentação do novo Código de Prevenção a Incêndios do Paraná.'' (Colaboraram Wilhan Santin e Silvana Leão)

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