Os 56 alunos do sexo masculino do sexto ano de medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) começaram ontem a se apresentar para um novo alistamento militar. O alistamento no serviço militar é obrigatório para todos os jovens do sexo masculino que completam 18 anos, mas pode ser ''adiado'' se o jovem for estudante de Medicina, Odontologia, Farmácia ou Medicina Veterinária. Nesse caso, ele é dispensado, e volta a se apresentar quando está prestes a se formar.
No caso específico dos estudantes de Medicina, todos são obrigados a informar às Forças Armadas se são ou não voluntários para servir como oficiais durante um ano. ''Quem já foi convocado aos 18 anos é dispensado dessa nova convocação, mas também pode se voluntariar'', informou o coronel Cláudio Titericz, chefe do serviço militar da 5 Região, que engloba o Paraná e Santa Catarina. Já nos outros três cursos, embora haja cidades onde o alistamento também é obrigatório, em Londrina apenas os voluntários precisam se apresentar.
Os exames médico e odontológico e a entrevista com os voluntários terminam hoje. Não há garantias de que todos os voluntários sejam convocados, e mesmo quem não demonstra interesse pode ser chamado depois, já que o número de voluntários costuma ser inferior ao de vagas. Os primeiros resultados, para quem se prontificou, saem entre 26 e 30 de novembro. Depois, em 6 de dezembro sai o resultado final também para os não-voluntários.
Somente na manhã de ontem, uma mulher e sete homens haviam se voluntariado, e, surpreendentemente, outras três mulheres do curso de Medicina já haviam manifestado interesse. Em 2005, 18 pessoas foram convocadas em Londrina. Segundo o coronel Titericz, durante o ano em que atuam como oficiais, os médicos recebem entre R$ 2.500 e R$ 3 mil mensalmente. A carga horária de trabalho vai depender das condições de cada quartel, mas o horário padrão de expediente costuma ser das 8 às 17 horas. O coronel calcula que cerca de 60 vagas sejam disponibilizadas aos médicos voluntários do Paraná e Santa Catarina. Para dentistas, são aproximadamente 15 vagas.
Os alistados podem sugerir os quartéis em que gostariam de atuar, desde que dentro desses dois Estados, ou se voluntariar para o Amazonas, onde a demanda é maior. Londrina é a cidade paranaense que mais envia médicos para a base na região Norte; só no último ano, cinco recém-formados foram para lá. Quem vai para a Amazônia recebe uma ajuda de deslocamento de quatro salários (pelo menos R$ 10 mil) na ida e na volta, além das passagens aéreas e 20% a mais no salário. A Marinha e a Aeronáutica são outras opções oferecidas.
No quartel, o voluntário entra como aspirante, mas depois sobe para primeiro tenente. Se desejar, ele pode permanecer como oficial temporário por até mais seis anos no quartel. Já para seguir carreira militar, é necessário prestar concurso. ''Se a pessoa gosta de ajudar os outros e servir à pátria, o serviço militar se encaixa, porque aqui, nós dedicamos a nossa vida à nação'', recomendou Titericz.

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