Forças Armadas recrutam profissionais de saúde
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Estudante de Medicina, Lucas Meda Caetano Paraíso, 26 anos, fez a inscrição para a seleção do Serviço Militar das Forças Armadas ontem pela manhã, no Hospital Universitário (HU). Apesar do salário de R$ 3.500 por seis horas de trabalho, o estudante espera ser dispensado do serviço. ''Não é exatamente isso que eu quero. Pretendo me especializar na área clínica, mas preciso fazer a inscrição no Exército.''
O estudante já foi dispensado do Exército quando tinha 18 anos, a exemplo de outro formando em Medicina, Diogo Alexandre Mancini, que também passava pela seleção ontem pela manhã. Ontem mesmo, ele foi informado que estava dispensado. ''Achei melhor, assim posso dar continuidade aos meus estudos sem nenhuma interrupção'', disse. Em Londrina, a Comissão de Seleção avalia até hoje 43 alunos e residentes do curso de Medicina, além de receber inscrições de profissionais das áreas de Farmácia, Medicina Veterinária e Odontologia.
Médicos recém-formados e residentes são obrigados a se inscrever no Serviço, baseados na Lei 5292, de junho de 67, que exige do profissional a dedicação de um ano de trabalho como oficial das Forças Armadas, depois de formados. ''Mesmo dispensados ou já tendo servido as Forças Armadas com 18 anos, eles são obrigados, depois de formados, a prestar um ano de serviço no Exército'', afirma o chefe da Sessão de Serviço Militar, tenente-coronel Paulo Roberto Souza Santos. Segundo ele, profissionais dessa área conseguem remuneração melhor trabalhando em sistemas de plantão, por exemplo. ''Temos carência de profissionais nessa área por isso o serviço é obrigatório.''
O serviço pode ser voluntário ou mesmo remunerado. O salário inicial de R$ 3.500 também atrai os profissionais, que atuarão como tenente durante um ano e têm opção de continuar por um período de até sete anos. A seleção, que está sendo feita em dez faculdades do Paraná e Santa Catarina, pretende enviar voluntários para quartéis do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazônia. No total 125 vagas serão preenchidas nessas localidades.
Os inscritos já foram orientados através de palestras nos meses de abril e maio, quando uma comissão apresentou o trabalho que é realizado nas Forças Armadas. Os selecionados serão chamados em dezembro.
Segundo o tenente-coronel, os critérios utilizados para a seleção vão desde o local onde os alunos estudam (preferência por universidades custeadas pelo governo), idade, estado civil, problemas sociais e de saúde. ''Em Londrina a maioria dos estudante se inscreve para ser voluntário. Muitos com espírito aventureiro vão para a Amazônia, onde, além de atender o Exército, têm contato e trabalham com a população ribeirinha.''
No total, as Forças Armadas no Brasil possuem 300 mil homens. Na seleção de Londrina, 650 médicos foram inscritos (para preencher 125 vagas), 150 dentistas (para dez vagas), 34 farmacêuticos (para três vagas) e 12 médicos veterinários, único curso a não oferecer vaga nesta seleção.


