Londrina - Os resíduos coletados pelos carroceiros deveriam ser depositados em Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), que integram o Projeto Lixo Zero. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) defende a criação de pelo menos dez PEVs em locais que já foram mapeados e devem ser avaliados a partir da semana que vem. Porém, enquanto o projeto não sai do papel, os trabalhadores contam com três ecopontos (jardins Santa Rita, Nova Conquista e Primavera) que possuem licença ambiental.
Cada PEV será estruturado com a presença de um agente ambiental e contará com áreas apropriadas para o depósito de diferentes materiais. A instalação desses locais é uma medida para substituir os atuais ecopontos. O custo de cada unidade ficaria em torno de R$ 50 mil a R$ 60 mil.
"Temos em andamento um estudo para a possível contratação de cooperativas, que através de dois ou três cooperados irão gerenciar a segregação desses materiais. A cooperativa tem a facilidade de reutilizar e reciclar esses materiais. Uma vez segregados, os demais resíduos serão levados para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR)", explicou Gilmar Domingues, diretor de Operações da CMTU.
A licença para a destinação de entulho da construção civil para a CTR, na zona sul da cidade, foi concedida através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público, Secretaria do Meio Ambiente e Instituto Ambiental do Paraná, no mês passado.
"Algumas obras de terraplanagem estão sendo feitas para melhor recepcionar esses resíduos, que deverão ser destinados para lá a partir da semana que vem", comentou. As PEVs serão instaladas com o intuito de diminuir essa distância a ser percorrida pelos carroceiros.
Domingues reconhece que o município passa por um momento delicado no que se refere ao sistema de resíduos. Atualmente, existem mais de 250 pontos de despejo irregular na cidade e três ecopontos funcionam provisoriamente. Um deles é no Jardim Santa Rita 5, na zona oeste, em frente à residência de Vanessa Teixeira Coutinho. "Começou a piorar de um ano para cá. É uma situação inaceitável. Eu acordo, abro a janela e a visão que tenho é esse monte de lixo. Me incomoda a fumaça, pois muitos põem fogo, tem o mau cheiro e a proliferação de insetos. A qualquer hora do dia tem gente jogando lixo. Nunca são os carroceiros, é sempre carro e caminhão", reclamou.
Com a presença da CMTU ontem de manhã no local, foi solicitada a limpeza imediata. Domingues calcula que há duas toneladas de resíduos descartados na linha de trem, o que equivale a uma área de 300 metros quadrados e demanda em torno de 200 viagens dos caminhões.
"Tem uma força-tarefa sendo constituída entre Instituto Ambiental do Paraná, Secretaria do Meio Ambiente, Força Verde, Polícia Ambiental, Guarda Municipal e CMTU no intuito de coibir com rigor esse tipo de abuso. A fiscalização deve ser mais ostensiva e quem for flagrado será punida na Lei de Crimes Ambientais, que prevê multa que varia de R$ 50 a R$ 50 milhões, além da apreensão do veículo utilizado para acometimento desse crime", definiu. (M.O.)

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