Força foi necessária,
justifica comando da PM
Vários participantes da manifestação que acabou em tumulto, na noite de segunda-feira, acusaram a Polícia Militar de usar força excessiva. Um dos manifestantes, que preferiu não se identificar, disse que apanhou muito dos PMs e que o primeiro ato de hostilidade partiu dos policiais. ‘‘A gente tinha conversado com o tenente Walter (Walter João Marques Luiz, que responde interinamente pela Companhia de Trânsito). Ele disse que iria só apagar o fogo para evitar problemas. Mas não disse que iria tentar retirar os troncos’’, afirmou.
Segundo o manifestante, o pessoal ficou revoltado com os policiais que tentavam desimpedir as pistas. ‘‘Um policial empurrou e agrediu uma mulher grávida. Foi o suficiente para todo mundo ficar bravo e começar a jogar pedras. Aí eles vieram para cima de gente que não tinha nada com isto. Pegaram um aleijado, um rapaz com a perna quebrada e até o repórter’’, contou.
Outro participante da manifestação, o tio do garoto atropelado, Cosmo Bueno, foi categórico em afirmar que os policiais foram ao local com intenção de usar a força. ‘‘Eles até tiraram as tarjas com a identificação das fardas, para que ninguém pudesse apresentar queixas contra eles’’, afirmou.
Além disto, Cosmo Bueno garante que quatro viaturas da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone), passaram várias vezes pelas ruas do bairro exigindo que os moradores ficassem dentro de casa. ‘‘Eles apontavam armas para nós e mandavam que ficassem em casa se não a gente iria se arrepender’’, comentou.
O capitão Edmir Edson da Cruz, que responde interinamente pelo comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), reafirmou ontem que a força utilizada pela Tropa de Choque e Rone no controle da manifestação não foi excessiva. ‘‘A ação empregada foi a necessária, pois nem bem iniciou-se o protesto, elementos se infiltraram entre os moradores e começaram a tumultuar’’, afirmou.
Segundo ele, o capitão Salmen Vieira da Silva se viu obrigado a usar a força para impedir que uma tragédia maior acontecesse já que atearam fogo nos pneus e ao lado havia um posto de gasolina. ‘‘O uso de balas de borracha – que não fere, só causa hematomas – foi para conter o pessoal’’, garantiu.
Para o comandante interino, o fato de dois jornalistas e um assistente terem sido feridos não é culpa da PM. ‘‘Este repórter (Fábio Silveira, do Jornal de Londrina) estava no meio dos manifestantes. Acredito que tenha sido atingido por uma pedra, já que apresentava cortes, o que as balas de borracha não causam. O exame de corpo delito pode provar isto’’, disse. O capitão também negou que os policiais retiraram a identificação do uniforme.
Ele garantiu que não houve ameaças: ‘‘Após a dispersão do local, permaneceram duas ou três viaturas patrulhando para evitar que o pessoal voltasse a provocar novo tumulto. Mas só davam orientação para que se recolhessem. Os policiais jamais usarão as armas para lidar com o público inocente’’.
No final da tarde de ontem a Folha apurou que o major José Cesário de Paula, comandante-interino do 15º Batalhão da PM, de Rolândia, foi designado para presidir a sindicância que vai apurar as denúncias de violência contra os policiais militares. (T.E.)

mockup