Força dos moradores faz bairro crescer
Osmani Costa
De Londrina
Nos finais de tarde, os adultos sentam em cadeiras colocadas nas calçadas, embaixo das muitas árvores, para conversar tranquilamente com os vizinhos. As crianças brincam com bola nas pequenas e bem conservadas praças ou de betes nas ruas asfaltadas e com pouco trânsito de automóveis. Apenas o apito dos sorveteiros quebra, de quando em quando, o silêncio quase profundo. O clima lembra, com exatidão, uma pequena cidade do interior.
As características são do Parque Ouro Branco, um dos bairros mais antigos da zona sul de Londrina. A infra-estrutura do bairro das melhores possíveis, dispondo de rede de água e esgoto, asfalto, creche, posto de saúde, hospital, centro comunitário, escola de 1º grau, quadra poliesportiva e um comércio bastante razoável. Mas a comunidade, bem organizada, luta pela solução dos pequenos problemas e faz uma série de reivindicações.
O próprio desenho do bairro que nasceu de um loteamento particular há 31 anos já é inusitado. Ele forma um retângulo comprido, cercado de um lado ao outro pela Rua Flor dos Alpes, que começa e termina, 1.400 metros depois, na Avenida Guilherme de Almeida. No interior do Ouro Branco, todas as 23 ruas têm nome de flores.
Além da avenida, que é marginal à Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445), a única rua que não tem nome de flor é também a única não asfaltada do bairro: Rua Luiz Cosentino, paralela à Avenida Dez de Dezembro (Via Expressa), com cerca de 200 metros de comprimento. Quando teve início, o Parque Ouro Branco, a cerca de 6 quilômetros do centro, era o último bairro da cidade na zona sul. Hoje, ele está no centro geográfico daquela região, cercado por muitos bairros novos.
Morar aqui é uma tranquilidade. Todas as pessoas se conhecem e são amigas, afirma a dona de casa Lourdes Beni Cordeiro, 63 anos. Ela mora no Ouro Branco deste o início e é fundadora do Grupo Pioneiro da 3ª Idade, que promove atividades recreativas no Centro Comunitário duas tardes por semana. Nos reunimos para dançar, ouvir música, conversar, participar de brincadeiras e atividades fisioterapeuticas. Somos em cerca de 50 pessoas, todas muito felizes.
Também no Centro Comunitário, construído há 11 anos em frente à Praça das Flores, a Associação de Mulheres promove cursos de pintura em tecidos e de bordados para a capacitação da mão-de-obra de crianças e jovens. A monitora é Maria Cristina Bueno Paes, que mora há 20 anos no bairro. Outro projeto lançado há um ano com o objetivo de evitar os riscos das ruas é o Criança no Esporte, coordenado pelo motorista Valdir de Camargo.
Bancado pela Associação de Moradores do Parque Ouro Branco (Ampob), o projeto atende hoje na escolinha de futebol perto de 70 crianças de 5 a 15 anos. Três vezes por semana eles treinam e os jogos acontecem aos domingos. Pena que não temos aqui um campo de futebol. As crianças têm que se deslocar para o Jardim Tarobá, do outro lado da rodovia, o que sempre representa um risco, comenta o presidente da Ampob, Roberto Fu, que está no cargo há três mandatos.
Recentemente, a associação fabricou e instalou nas ruas e praças 32 lixeiras fixas, com parte de um programa denominado Ouro Branco mais limpo, que pretende conscientizar os moradores sobre os benefícios da limpeza pública a partir da casa de cada um. Outras 30 lixeiras estarão à disposição nos próximos meses. O sorveteiro José Francisco, que mora na zona leste e há 25 anos trabalha na ruas do bairro, aprovou a idéia: É uma boa. Assim, a criançada não joga os papéis e outros lixos pelas ruas. Eu também descarrego aqui o meu lixinho, sempre que preciso.
A diretoria da associação do bairro, que conta na localidade com o Hospital Estadual da Zona Sul, tem na Escola Municipal Mábio Gonçalves Palhano uma de suas maiores preocupações. É que ela ainda funciona num esquema de dualidade. Do pré à 4ª série ela é municipal; da 5ª à 8ª ela é estadual. Com o processo de municipalização da educação, temos o receio de que deixe de funcionar a parte estadual e os alunos sejam remanejados para escolas de outros bairros, diz Roberto Fu.
A escola municipal que passa por reforma orçada em R$ 37 mil atende 480 alunos, em 16 turmas. A escola estadual tem 325 estudantes em dez turmas, quatro das quais noturnas. O bairro não conta com colégio, uma das principais reivindicações. A direção do Núcleo Regional de Educação, do governo do Paraná, garante que não haverá a temida desativação até que o Estado construa no bairro uma nova escola.
Outra solicitação da comunidade é a reforma da quadra comunitária, que fica ao lado da escola e serve para as aulas de educação física. Mas as principais reivindicações estão ligadas ao fluxo do trânsito. Comerciantes e moradores querem o asfaltamento da Rua Luiz Cosentino e o alargamento de 3,5 metros da Avenida Guilherme de Almeida, a principal via de entrada e saída do bairro.
No início desta semana, eles estiveram reunidos com o secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, para selar o compromisso para as obras. O pedido do alargamento da avenida é justo, necessário dentro do novo plano viário daquela região, e está tudo acertado. Estamos em fase de orçamento para o projeto, depois vamos para a fase da licitação. Talvez conseguigamos começar a obra ainda neste ano, avalia o secretário.
Em relação ao asfaltamento da única rua de terra do bairro, a questão é mais complicada. O projeto está orçado em R$ 113 mil e teria que ser custeado em 70% pelos moradores. Alguns deles alegam não ter condições financeiras para o pagamento e não concordam com o asfaltamento, segundo Righi de Oliveira.
PARQUE OURO BRANCO
Onde fica: zona sul, à beira da rodovia PR-445
Idade do loteamento: 31 anos
População: cerca de 2.000 moradores
Infra-estrutura: água encanada, rede de esgoto, asfalto, creche, escola de 1º grau, creche, posto de saúde, hospital, quadra e centro comunitário
Principais reivindicações: asfaltamento de uma rua e alargamento de uma avenidaComunidade bem organizada luta por solução de pequenos problemase reivindica melhorias
Josoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoO PARQUE OURO BRANCOAvenida Guilherme de Almeida, a principal via do Parque Ouro Branco (acima); ao lado, Rua Luiz Consentino, a única sem asfalto; abaixo, à esquerda, o presidente da Associação de Moradores, Roberto Fu, e uma das lixeiras instaladas pela entidade; à direita, aula de bordado no Centro ComunitárioJosoé de CarvalhoEscola Municipal Mábio Gonçalves Palhano: em fase de obrasJosoé de CarvalhoUma rua sem saída do Ouro Branco: asfalto e sinalização





