Edson MazzettoO advogado Ruy Alberto Zibetti com as declarações por escritoO envolvimento de várias pessoas, principalmente policiais e funcionários públicos do Norte do Paraná, com roubo, adulteração de documentos e venda de carros, está sendo denunciado ao Tribunal de Justiça do Paraná. A denúncia consta do pedido de habeas corpus impetrado em favor do foragido da Justiça Milton Vicente de Lima, 31 anos, comerciante de Paranavaí. Ele tem prisão preventiva decretada pela Comarca de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina). Milton, que é apontado por outros envolvidos como integrante e até chefe de uma quadrilha, está em local onde se julga protegido.
Além do que consta no pedido de habeas corpus, Milton Vicente de Lima fez outras denúncias ontem à Folha, por meio de seu advogado, Ruy Alberto Zibetti, de Cascavel. Segundo o relato de Milton, tudo começou em setembro de 96 quando ele esteve em Arapongas, na Acessórios Tarugão.
Ali comprou um caminhão de Wagner Vicentini, pagando R$ 20 mil e uma caminhonete no valor de R$ 22 mil. Algum tempo depois, ao tentar vender o caminhão, Milton teria constatado numerações de registro adulteradas. Procurou Vicentini para desfazer o negócio, que lhe disse que isso seria providenciado por um dono de ferro velho identificado como ‘‘Washington Muniz’’, de Colorado.
Milton recebeu de ‘‘Washington’’ outra caminhonete e voltou a procurar Vicentini para tentar reaver seu dinheiro. Milton afirma ter encontrando Vicentini ‘‘em um barracão’’. Neste local Milton diz ter ouvido de funcionários que os donos eram ‘‘o Vicentini e os ex-policiais rodoviários Magrão e Robertinho, que se reuniam com frequência’’.
De um amigo de Paranavaí, que identifica como ‘‘Marcão’’, Milton ouviu que Vicentini ‘‘pagava propina à Polícia de Arapongas para cobertura ao esquema’’. A propina seria o repasse de R$ 15 mil mensais ou caminhões aos policiais. Sem reaver seu dinheiro, e tendo tomado conhecimento destas situações, Milton diz ter então procurado policiais civis de Maringá para fazer denúncias.
Um grupo de policiais, liderados pelo delegado de Furtos e Roubos, José Osmar Evarina, teriam ido inicialmente a Colorado, onde interrogaram ‘‘Washington’’, e depois a Arapongas, onde detiveram cinco pessoas e apreenderam três caminhões.
Prisões A denúncia teria ‘‘custado caro’’ a Vicentini. Ele teria pago R$ 120 mil aos policiais para liberação dos detidos e dos caminhões, por isso teria dito que se vingaria de Milton. Dia 24 de fevereiro, Vicentini foi preso com mais oito pessoas pela Polícia Militar, acusado de chefiar quadrilha. A prisão se deu no mesmo barracão onde Milton se encontrou com Vicentini pela última vez.
Nos interrogatórios, Vicentini e outros presos apontaram Milton como chefe da quadrilha. Com base nestes depoimentos, o promotor Denis Pestana, de Arapongas, ofereceu denúncia contra Milton. Houve então mandado de prisão provisória e, em seguida, a decretação da prisão preventiva pelo juiz Walmir Zaia Ozechen.
Alegando temer ameaças de Vicentini, Milton procurou refugiar-se, enquanto seu advogado tenta o habeas corpus no Tribunal. Ruy Alberto Zibetti frisa no pedido que seu cliente ‘‘é uma vítima de Wagner Vicentini, mercê quiçá de um mancomunado esquema com segmentos da Polícia Civil, e sob constante perseguição dos policiais e comparsas ainda em ação do verdadeiro chefe da organização criminosa’’.

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