Fonoaudiologia vira arma contra erros de ortografia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de maio de 1997
Luka Morais 
Warren NabucoFalar e escreverO fonoaudiólogo Jaime Zorzi: confusões e erros como parte natural do aprendizado da linguagemSe para o adulto a organização do sistema ortográfico é uma dificuldade, imagine para a criança. Foi para falar sobre o desenvolvimento da linguagem escrita que o fonoaudiólogo Jaime Luiz Zorzi esteve na última sexta-feira em Londrina. Na palestra para alunos de Fonoaudiologia da Unopar (Faculdades Integradas Norte do Paraná), o professor destacou que o erro faz parte do processo de aprendizagem. Todos erram mas vão diminuindo o número de erros quando vão compreendendo a escrita.
O tema Aprendizado da Ortografia foi abordado pelo professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em sua tese de doutorado. Ele lembra que há pouco conhecimento sobre o assunto. Quando se dá liberdade para que as crianças experimentem espontaneamente a escrita, a obra vai apresentar grande número de erros, atesta Zorzi. Mas os erros ortográficos, ele destaca, podem ser parte do processo normal de aprendizagem. À medida que elas vão compreendendo como funciona a ortografia, ao longo dos anos, vão diminuindo os erros.
A presença do profissional de fonoaudiologia torna-se necessária quando a criança, embora se tornando mais experiente, com maior tempo de aprendizagem, ainda não consegue compreender como funciona a escrita. As confusões mais comuns na cabeça das crianças atendidas nas clínicas de fonoaudiologia, revela o professor, acontecem em relação ao emprego de letras que têm sons semelhantes mas são grafadas de formas diferentes.
Como fazer a criança entender que o som do S com o qual se escreve sapo, que tem o mesmo som do C da palavra cedo, idêntico ao som do X de experiência e do Ç de cabeça? O professor responde: Precisam compreender o contexto ortográfico e saber, por exemplo, que Ç não serve para a palavra casa, que se transforma em caça, se for usada essa letra, detalha. As crianças, assim como os adultos, precisam lidar com habilidades linguísticas.
O problema, diz o fonoaudiológo, é que muitas vezes os professores não estão preparados para dar o atendimento que a criança requer na sala de aula. As dúvidas vão se acumulando e um problema que poderia ser resolvido na escola só encontra solução numa clínica de fonoaudiologia.
Ações conjuntas entre educadores e fonoaudiólogos, segundo Zorzi, têm apresentado bons resultados. A experiência tem mostrado que é possível evitar que o problema dos erros ortográficos chegue a nível clínico.


