Warren NabucoFalar e escreverO fonoaudiólogo Jaime Zorzi: confusões e erros como parte natural do aprendizado da linguagemSe para o adulto a organização do sistema ortográfico é uma dificuldade, imagine para a criança. Foi para falar sobre o desenvolvimento da linguagem escrita que o fonoaudiólogo Jaime Luiz Zorzi esteve na última sexta-feira em Londrina. Na palestra para alunos de Fonoaudiologia da Unopar (Faculdades Integradas Norte do Paraná), o professor destacou que o erro faz parte do processo de aprendizagem. ‘‘Todos erram mas vão diminuindo o número de erros quando vão compreendendo a escrita.’’
O tema ‘‘Aprendizado da Ortografia’’ foi abordado pelo professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em sua tese de doutorado. Ele lembra que há pouco conhecimento sobre o assunto. ‘‘Quando se dá liberdade para que as crianças experimentem espontaneamente a escrita, a obra vai apresentar grande número de erros’’, atesta Zorzi. Mas os erros ortográficos, ele destaca, podem ser parte do processo normal de aprendizagem. ‘‘À medida que elas vão compreendendo como funciona a ortografia, ao longo dos anos, vão diminuindo os erros’’.
A presença do profissional de fonoaudiologia torna-se necessária quando a criança, embora se tornando mais experiente, com maior tempo de aprendizagem, ainda não consegue compreender como funciona a escrita. As confusões mais comuns na cabeça das crianças atendidas nas clínicas de fonoaudiologia, revela o professor, acontecem em relação ao emprego de letras que têm sons semelhantes mas são grafadas de formas diferentes.
Como fazer a criança entender que o som do ‘‘S’’ com o qual se escreve sapo, que tem o mesmo som do ‘‘C’’ da palavra cedo, idêntico ao som do ‘‘X’’ de experiência e do ‘‘Ç’’ de cabeça? O professor responde: ‘‘Precisam compreender o contexto ortográfico e saber, por exemplo, que ‘Ç’ não serve para a palavra ‘casa’, que se transforma em ‘caça’, se for usada essa letra’’, detalha. ‘‘As crianças, assim como os adultos, precisam lidar com habilidades linguísticas’’.
O problema, diz o fonoaudiológo, é que muitas vezes os professores não estão preparados para dar o atendimento que a criança requer na sala de aula. As dúvidas vão se acumulando e um problema que poderia ser resolvido na escola só encontra solução numa clínica de fonoaudiologia.
Ações conjuntas entre educadores e fonoaudiólogos, segundo Zorzi, têm apresentado bons resultados. ‘‘A experiência tem mostrado que é possível evitar que o problema dos erros ortográficos chegue a nível clínico.’’

mockup