Fonoaudiologia no tratamento ortodôntico
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sexta-feira, 04 de novembro de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
O tratamento ortodôntico demanda tempo e investimento financeiro consideráveis. Para que todo o esforço seja válido é necessário levar a sério as recomendações do especialista. Entre elas, está o encaminhamento do paciente para um profissional de fonoaudiologia. Em alguns casos, o trabalho em conjunto é determinante para que o problema ortodôntico não volte a acontecer após a finalização do tratamento. Isso acontece porque existe uma relação muito íntima entre os desenvolvimentos muscular e ósseo-dentário.
Para que haja uma oclusão adequada, é importante haver um equilíbrio entre a musculatura da face e da língua e das funções orais. O fonoaudiólogo Moisés Pereira Júnior, especialista de Londrina em motricidade orofacial, afirma que muitas pessoas relutam em realizar o trabalho em conjunto, mesmo após a indicação do ortodontista.
A recomendação é que o tratamento em conjunto tenha início no mínimo três meses antes da retirada do aparelho. O procedimento é indicado para pacientes que apresentam lábios entreabertos, projeção de língua ao deglutir e ao falar, comumente encontrado nos respiradores bucais. ''Nesses casos, é preciso trabalhar as funções de respiração, mastigação, deglutição, sucção e fala'', explica Pereira Júnior, ressaltando que também é necessário trabalhar a musculatura da face e da língua, além do posicionamento em repouso de lábios e língua.
O ortodontista Reinaldo Niekawa, de Londrina, calcula que cerca de 20% dos pacientes precisam de tratamento com o fonoaudiólogo. ''Esses pacientes apresentam mordida aberta, interposição lingual e dificuldade para deglutir. Necessitam do acompanhamento em conjunto para alcançar um resultado satisfatório e para que não haja nenhum tipo de comprometimento'', pontua.
Infância
De acordo com Niekawa, esses problemas na maioria das vezes refletem hábitos da infância, como a utilização de chupeta e mamadeira a partir dos 6 ou 7 anos de idade. ''O hábito de chupar o dedo também é prejudicial'', alerta. Ele acrescenta que é importante que esses problemas sejam detectados o mais cedo possível. Os pais devem estar atentos, uma vez que os movimentos de sucção realizados para chupar o dedo ou a chupeta não favorecem o desenvolvimento da musculatura e dos ossos faciais de forma adequada, prejudicando a deglutição, a mastigação e a fala.
A frequência, a intensidade e a duração desses hábitos podem ser determinantes para o surgimento de problemas ortodônticos nos dentes permanentes. ''É importante tomar esses cuidados para evitar problemas futuros. E quanto mais cedo o tratamento iniciar, melhores serão os resultados'', destaca o ortodontista.



