FLORESTÓPOLIS - ‘‘Ontem eu consegui comer porque uma família amiga me deu um caldeirão de comida. Crise igual a esta eu estou vendo pela primeira vez. A chuva atrapalhou bastante, porque carpir não tem jeito e colher algodão muito menos. E ninguém está ligando’’. O desabafo do trabalhador Wilson Batista Lopes, 56 anos, mostra a gravidade da situação em Florestópolis.
O índice de desemprego no município é considerado o pior dos últimos anos. Além das chuvas dos últimos dois meses, a entresafra da cana-de-açúcar e a dispensa de trabalho da Usina Central de Porecatu colaboraram para agravar o quadro. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Florestópolis, cerca de 2.500 trabalhadores estão parados desde dezembro.
O presidente do sindicato, Derval Luiz Zamparoni, 53 anos, prevê que o problema deve piorar nos próximos dias. O sindicalista diz que muitos dos desempregados trabalharam na última safra de cana e receberam o acerto de contas e 13º, o que ajudou a manter as famílias em janeiro. ‘‘Como é que eles farão, de agora em diante, se não conseguirem emprego?’’.
A previsão de novas contratações no campo é para maio, quando recomeça a safra da cana. Para o plantio e corte da cana em Florestópolis, Porecatu e Centenário do Sul, que abastecem a Usina Central e a Destilaria de Açúcar e Álcool da Cofecatu (em Florestópolis), Zamparoni cita que eram contratados bóias-frias de 12 municípios da região. ‘‘Estas pessoas estão enfrentando o mesmo problema’’.
Os trabalhadores em situação de desespero recorreram à procura de trabalho nos cafezais de Minas Gerais ou na colheita de laranja no interior de São Paulo. Mas o trabalho não é suficiente para todos.
Zamparoni argumenta que a crise no setor alcooleiro, desencadeada pelo governo Federal, é o principal causador do problema. ‘‘Antigamente a cana dividia espaço na região com o algodão e o café.’’
O sindicalista argumenta não poder fazer nada pelos trabalhadores. ‘‘Não temos condições financeiras para ajudar. Ou as famílias pedem ajuda na igreja, ou na prefeitura, ou passam fome. O que eu posso fazer é brigar com os grandes produtores de cana para conseguir a volta do trabalho’’.
O ponto de encontro dos bóias-frias desempregados é a praça, no centro da cidade. Adauto Brasilino da Silva, 33 anos, passa os dias no local, enquanto não é recrutado para o campo. Ele diz que não tem dinheiro, mas conta com a ajuda do pai. ‘‘Estou comendo e dormindo na casa dele, numa fazenda aqui perto. Não tenho condições de sair para outra cidade ou procurar outra profissão’’, reclama.

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