Santo Antônio da Platina – ‘‘Santo Reis aqui chegou; Nesta hora de alegria; Para saudar o dono da casa; Com toda a sua família,’’ entoou o embaixador da Folia de Reis, José de Souza, durante a chegada do grupo a uma casa no bairro da Jacutinga em Ribeirão do Pinhal (57 quilômetros a oeste de Jacarezinho). A peregrinação que se repete há 63 anos no município, veio de Minas Gerais por meio do patriarca da família Ambrósio Dutra da Silva na década de 30, e será encerrada amanhã, com a celebração de uma festa em que serão servidas cerca de 4 mil refeições gratuitamente para os devotos da região.
Nos municípios de Castro e Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, também haverá apresentação da Folia de Reis. A ‘‘Comitiva dos Reis Magos’’ existe há mais de 100 anos em Castro. Além dos três reis, participam do grupo sete músicos e 40 vocalistas. Em Castro a apresentação será neste sábado, às 20 horas, com saída da Casa da Cultura. No domingo a Comitiva se apresenta em Ponta Grossa, às 19 horas, na Praça Barão do Rio Branco.
Em Ribeirão do Pinhal a folia coordenada pelos membros da família Dutra começa no dia 28 de dezembro e é encerrada no dia 06 de janeiro. Neste período os foliões percorrem várias propriedades rurais. A romaria serve para pedir oferendas, em homenagem aos Reis Magos, e anunciar o nascimento do menino Jesus. Neste período os foliões visitam cerca de 200 propriedades e obtém como prendas cerca de 12 cabeças de gado, 150 frangos e pelo menos 30 leitoas.
‘‘Maria tava rezando quando o anjo apareceu. Bendita és tu Maria, você vai ser a mãe de Deus’’, responderam, fardados e munidos de viola, violão, caixa, pandeiro, bandolim e violino, o grupo de foliões. A tradição portuguesa foi introduzida no Brasil no início do século 18. Os galpões próximos a igreja do bairro, que fica a 15 quilômetros da cidade, ficam lotados de comida e de convidados. No dia 06 durante a manhã será servido pão com carne, e com a chegada da bandeira por volta das 15h tem início o almoço. A festa só termina, no início da madrugada com a queima de fogos e a escolha do próximo festeiro.
O festeiro deste ano, José Otávio Dutra, explica que a única exigência na festa é que tudo seja doado. Dutra explica que desde o início das comemorações foi proibido comercializar produtos durante a celebração. No local não há ambulantes e, até mesmo, o empório do distrito é fechado. Ele afirma que as pessoas que participam são devotas ou precisam da comida. ‘‘São pessoas humildes que tem a oportunidade, pelo menos uma vez ao ano, de comer à vontade,’’ disse.
A responsável pela cozinha Cacilda Dutra afirma que as prendas começam a ser preparadas na sexta com a participação de todos os parentes. Toda a comunidade oferece desde animais até refrigerantes e sorvetes. A folia percorre vários distritos de Ribeirão do Pinhal, Abatiá, Jundiaí do Sul e Ibaiti e todo o alimento é preparado no próprio local da festa. Segundo ela as pessoas vêm de ônibus, de carro ou a pé para participar. As refeições são servidas até as 11h da noite ou, conforme a cozinheira, até o pessoal parar

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