Folia de Reis canta e emociona em Londrina
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O dia de ontem para a aposentada Maria Aleixo, 65 anos, foi de ansiedade e de espera. Sua residência era uma das oito do Jardim Maringá (Zona Sul de Londrina) que recebeu a visita da Folia de Reis Mensageiros da Paz. Assim que o grupo começou a tocar, a emoção simples de quem relembrava os tempos de infância aflorou no rosto da aposentada. Era a constatação de que tanto a sua fé nos Três Reis Magos que presentearam o menino Jesus logo após seu nascimento, quanto a tradição popular centenária, ainda se mantinham vivas.
Foi com a mesma simplicidade que ela pediu para a sobrinha escrever uma breve carta para entregar ao grupo. ''É uma homenagem ao embaixador da Folia desejando um bom ano novo e paz, que é o que todo mundo está precisando'', revelou a aposentada. A devoção de Maria foi forjada na infância vivida em uma fazenda em Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio). ''No dia de Folia de Reis ninguém trabalhava'', relembrou. ''É uma tradição divina'', completou. Em retribuição, os fardados da Folia figuras que representam os soldados de Herodes em perseguição a Jesus dançaram na rua em frente a casa da família.
É por causa de pessoas como dona Maria e de grupos como o Mensageiros da Paz que a tradição de Folia de Reis resiste à passagem do tempo. O embaixador Francisco Garbosi, 66 anos completados em 1º de Janeiro, sempre comemora o aniversário com a viola embaixo do braço entoando cantos junto com os outros 11 companheiros de Folia. ''É uma grande responsabilidade porque os três Reis, na verdade, foram os primeiros santos do Cristianismo. Para nós, isso tem um profundo sentido de religiosidade e de fé'', ensinou.
Segundo o embaixador, a Folia de Reis sobrevive à modernidade porque é transmitida de pai para filho. Ele próprio é acompanhado pelos netos Francisco Garbosi Valentin Farias, 8 anos, e Henrique dos Reis Garbosi, de 14 anos. Outro que também mantém viva em família a fé nos três Reis Magos é o motorista Juvenal Góes da Silva, 41 anos. Nessa época, ele tira férias do volante, veste a farda da Folia e dança ao som da caixa tocada pelo filho Diéferson Góes da Silva, de 13 anos. ''Sou bastante orgulhoso por isso. Nunca imaginei que um dia ia pular com meu filho tocando caixa'', comemorou. Diéferson, um ''centroavante de futuro'', esquece o futebol por alguns instantes para acompanhar o grupo. ''Eu penso em sempre continuar'', garantiu o adolescente, confessando que a tradição é desconhecida entre os colegas.
Para quem assiste, a Folia de Reis é a manifestação da fé cristã. Acostumado a acompanhar a tradição popular desde quando era criança em Montes Claros (MG), o presidente da Associação de Moradores do Jardim Maringá (Assomar), Osmar Pereira Santana, 48 anos, só lamentou que a cada ano está mais difícil encontrar grupos para celebrar o nascimento de Jesus Cristo no bairro. Mas, pelo menos em 2005, a celebração foi garantida. E para festejar mais um ano de fé e de vida, todos se reuniram em um grande jantar em frente ao presépio montado pela comunidade às margens do Lago Igapó.


