Folha apresentou série de matérias sobre o assunto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Diante da polêmica nacional sobre o desvio de R$ 169 milhões da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, a Folha decidiu em agosto reconstituir os passos que levaram o Paraná a também criar o seu maior símbolo de desperdício do dinheiro público: o Fórum de Curitiba, um esqueleto de concreto dividido em dois blocos de 12 andares cada, que arranha a paisagem do Centro Cívico, no coração do poder do Estado.
Entre os dias 11 de agosto e 9 de setembro, 19 reportagens falaram sobre o elefante branco, apelido que a estrutura de concreto recebeu desde que foi abandonada em 1991. No dia 26 de agosto, a descoberta mais importante do caso até agora era estampada na capa do jornal: Obra do Fórum tinha falhas em 88. A manchete referia-se a um laudo técnico da empresa JCM Queiroz Engenharia, com sede em Londrina, emitido ao Tribunal de Justiça, no dia 7 de dezembro de 1988.
A JCM era a responsável pelo projeto arquitetônico do Fórum de Curitiba. No laudo, a empresa fez alertas sobre as falhas estruturais encontradas na obra. No entanto, o documento foi arquivado misteriosamente e o esqueleto entregue pela Construtora Coteli, de Curitiba, ao TJ que o aceitou com os defeitos detectados pela JCM. Em 1991, uma comissão formada para analisar a continuidade das obras encontrou o laudo e mandou que a obra fosse paralisada. Sentido-se prejudicada, a Coteli processou o governo do Estado.
O caso está sendo analisado na 2ª Vara da Fazenda Pública, em Curitiba. No dia 9 de setembro, a Folha informava que o Ministério Público não aceitou as alegações da construtora. Segundo o parecer da promotoria, a Coteli tem a responsabilidade de recuperar o esqueleto de concreto. Até ontem, a Justiça ainda não havia se pronunciado contra ou a favor da exposição feita pelo MP.


