Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Por volta das 3 horas da manhã de ontem os moradores do bairro Centro Cívico, em Curitiba, acordaram com um intenso barulho de veículos pelas ruas. Era o início da ‘‘Operação Congelamento’’, da Polícia Militar, para a desocupação da Praça Nossa Senhora Salete.
Dezenas de caminhões, ônibus, motos, cães, soldados a cavalo, e até mesmo uma unidade da Siate surgiram praticamente do nada. Em poucos minutos, toda a região limítrofe ao Palácio Iguaçu foi ocupada e proibido o trânsito em todas as vias de acesso. Entre elas, a Avenida Cândido de Abreu e as ruas Mateus Leme, Álvaro Ramos, Mauá, Marechal Hermes e Deputado Mário de Barros.
Sinalizadores luminosos deram a senha da ‘‘operação de guerra’’. Um casal que mora na Rua Deputado Mário de Barros foi atraído pelo barulho e viu o princípio da operação. Imediatamente a mulher ligou para um repórter da Folha, por volta das 3 horas.
O telefonema resultou numa rede de contatos entre os jornalistas e fotógrafos da regional de Curitiba. Antes das 4 horas, Zeca Corrêa Leite e Leandro Donatti estavam tentando furar o bloqueio policial pela Rua Mateus Leme. Entraram num prédio para melhor observar o que se passava no acampamento. Na sequência, a equipe foi encorpada pelos fotógrafos e mais repórteres. A Folha foi o único jornal que acompanhou praticamente toda a operação.
No Palácio Iguaçu o terceiro andar estava com as luzes acesas e dali um grupo de pessoas presenciava o andamento da operação. Era ainda muito cedo. Logo depois chegava Narciso Pires, da Comissão dos Direitos Humanos. Sua primeira entrevista foi para a Rádio Independência. A partir daí a cidade começava a tomar contato com o que estava ocorrendo na Praça Nossa Senhora Salete, no Centro Cívico.

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