Londrina - Professores de terno e gravata e alunos atentos aos conteúdos. Este foi o cenário encontrado pelo doutorando Dejair Dionísio na Universidade de Cabo Verde, na África. A instituição fica na capital Praia que possui, aproximadamente, 450 mil habitantes. Durante dois anos e meio, o londrinense compartilhou o conhecimento em Literatura Brasileira na universidade e também no Instituto Internacional de Língua Portuguesa.
O primeiro dia de aulas, em março de 2011, significou o primeiro choque cultural para Dionísio. "Eu cheguei de camiseta polo e calça jeans e os outros professores usavam terno e gravata. Lá, a universidade é mais formal com a influência dos portugueses, já que Cabo Verde está independente há 38 anos e a maioria dos professores se forma em Portugal", explica. Ele conta que surpreendeu os alunos por ser negro. "Apesar deles serem negros, os universitários têm a imagem de que quem tem prestígio não é negro. A visão que eles têm é a mesma transmitida pelas nossas telenovelas. Eles esperam professores brancos, já que os docentes são pessoas de prestígio", destaca. No entanto, não houve rejeição por parte dos universitários. "Foi uma reação positiva de ver um igual", acredita.
O doutorando da UEL conseguiu se adaptar às diferenças na alimentação e nos costumes, mas admite que sentiu falta de frutas, legumes e verduras e, principalmente, de carne. "Lá isso é caríssimo. Eles se alimentam mais a base de ensopados", relata. Para o professor, o subsídio oferecido pelo Programa Leitorado é suficiente.
A dedicação dos universitários de Cabo Verde também chamou a atenção de Dionísio. "Os alunos de lá têm mais conhecimento da nossa literatura que os próprios brasileiros. Eles citam trechos das obras. Aqui o conhecimento, no geral, é do ‘ouvi falar’ por meio das novelas e da mídia", afirma. O docente nunca havia saído do país e gostou da oportunidade. "Foi uma experiência única", conclui. (V.C.)

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