"Foi uma fatalidade rara"
O diretor técnico do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná (DER), Amauri Medeiros Cavalcanti, classificou os problemas de engenharia na obra do viaduto da PR-445 como "uma fatalidade rara", que provocou um recalque diferencial (leve deslocamento). Segundo ele, tão logo foi detectado o problema, todas as medidas foram tomadas, dando segurança a obra. "Além do reforço na estrutura, o DER também vem fazendo e continuará a fazer o monitoramento do viaduto", afirma o diretor técnico do órgão, Amauri Medeiros Cavalcanti. Ele ainda apontou as chuvas fortes e a qualidade do solo como causadoras das rachaduras.
Costa Branco destacou que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) fez, em 1946, uma sondagem do solo para a construção do Edifício Autolon e constatou que o solo era colapsível. "Então isso não é exatamente uma novidade para a gente. Têm trabalhos na universidade que falam sobre isso. Se 35 centímetros de recalque diferencial é importante, deveria haver o relatório da previsão do recalque. Isso foi previsto? As hipóteses de cálculo estavam corretas?", questionou.
O especialista em Geotecnia rebateu ainda a afirmação de que a causa dos problemas na obra foi o solo heterogêneo. "O solo é um meio. Até brinco com os alunos que a engenharia como um todo trabalha com materiais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e nós trabalhamos com a ABNDEUS. É a natureza e não há o que fazer. Aliás, tem o que fazer: Usar a inteligência para driblar e dominar essa heterogeneidade. Essa é a função do engenheiro, senão daqui a pouco a gente vai colocar a culpa na gravidade", criticou.
O presidente do Sindicato dos Engenheiros, Paulo Ribeiro, acrescentou que, sob o viaduto, há um curso dágua que faz um processo de erosão contínuo e que foi desconsiderado no projeto. "Abaixo do viaduto existe um canal escoadouro e no meu passeio, antes de vir para esta reunião, constatei que está minando água no local", advertiu. "Aquelas trincas são efeitos de processos estáticos. Quando tivermos um processo dinâmico, as forças que irão atuar serão diferentes e, por esse motivo, a segurança daquele muro deve ser muito bem avaliada", apontou. (V.O.)





