'Foi como se tivessem me desligado'
Antes de ser diagnosticado com uma virose que o deixou sete dias em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, o superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinícius Rezende Pio, 43, era um workaholic que colocava o trabalho acima de todas as outras esferas da vida.
Hoje, depois de ter superado a doença que provocou encefalite, quatro convulsões, pneumonia e paralisação temporária dos rins - que o obrigou a fazer três hemodiálises -, o mineiro que veio transferido de Belo Horizonte e estava há poucos meses no norte do Paraná está certo de que a doença foi a melhor coisa que podia ter acontecido.
''Hoje sou mais feliz'', disse ele, que se reaproximou da esposa, dos filhos e da espirutualidade depois de enfrentar a virose. ''Nos últimos quatro anos, minha vida tinha sido o trabalho'', reforçou.
A última lembrança de Pio com relação ao período de doença data do dia 7 de setembro. ''Eu estava vendo o desfile na Avenida Leste-Oeste na TV'', contou. No dia 8, sem qualquer sintoma anterior, ele entrou em convulsão e teve que ser entubado ainda a caminho do hospital.
''Os médicos deram 70% de chance de eu não sobreviver. Se eu sobrevivesse, era muito possível que houvesse sequelas'', contou o superintendente, que felizmente saiu do coma sem qualquer consequência e hoje já retomou as atividades normais. ''Não senti nada, nenhuma dor. Foi como se tivessem me desligado e ligado de novo'', comparou.
As semanas posteriores ao internamento foram de muita confusão. ''Levei quase um mês para realmente entender o que aconteceu.'' As boas surpresas não limitaram-se apenas à total recuperação. ''Recebi muitas mensagens, apoio e orações dos amigos. Não imaginava que fosse tão querido'', disse.
Diante de tão forte experiência, Pio, que define-se como pragmático, está convicto de que a doença não foi mera fatalidade. ''Houve um forte componente espiritual. Deus me trouxe a Londrina para passar por isso.'' (C.A)





