Curitiba

Marcelo AlmeidaComemoraçãoFagundes, com R$ 150,00 em rojões, chuva de lágrimas e treme-terra: ‘‘Trabalho o ano inteiro e mereço uma diversão’’Faltando poucas horas para o início das comemorações da virada do ano, o Grupamento de Bombeiros de Curitiba já está de prontidão para socorrer as vítimas de acidentes com fogos de artifício. Este ano, somente durante as festas de Natal, os bombeiros registraram seis casos de queimaduras. Um dos mais graves envolveu um garoto de seis anos, que perdeu quatro dedos da mão direita ao tentar soltar um rojão.
As principais causas de acidentes com fogos, segundo o Grupamento de Bombeiros, estão relacionadas a defeitos de fabricação e à ingestão de bebidas alcóolicas durante o manuseio dos artefatos, o que provoca descuidos. Por causa disso, os bombeiros são contra a utilização desses produtos pelo público.
Uma outra fonte de preocupação para os bombeiros diz respeito a denúncia feita pelo proprietário da distribuidora de Fogos Aymoré, Rodolpho Gazabin Júnior, de que somente 10% dos estabelecimentos que comercializam fogos trabalham dentro das exigências da lei. Segundo o empresário, das cerca de 70 lojas que atuam no segmento em Curitiba, apenas sete estão legalizadas. Destas, apenas três possuem depósito obrigatório em zona rural para guardar seus estoques. ‘‘Trabalho com apenas 5% do material na loja, que fica guardado em um depósito especial, dotado de paredes de 30 centímetros de espessura e portas corta-fogo que não oferecem riscos’’, afirma. ‘‘Já o restante trabalha oferecendo riscos de explosões e acidentes graves à vizinhança’’.
Gazabin está comemorando este ano um aumento de cerca de 20% nas vendas. Segundo ele, os fogos mais vendidos são as baterias supershow, que misturam explosões de grande potência com efeitos coloridos, a um preço de R$ 140,00, e os foguetes de 24 tiros e um morteiro, vendidos por R$ 8,00 a caixa com seis unidades.
A compra feita pelo serralheiro Antonio Fagundes, 43 anos, é um exemplo de como o negócio de vendas de fogos vai bem. Fagundes comemora com a família o réveillon no balneário de Shangrilá há quatro anos, sempre soltando foguetes. Este ano ele gastou R$ 150,00 na compra de fogos diversos, como chuva de lágrimas, treme-terra e rojões. ‘‘Trabalho o ano inteiro e acho que mereço uma diversão’’, brinca. Para Fagundes, os acidentes acontecem quando são utilizados fogos de procedência duvidosa e pela falta de cuidado no manuseio.

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