Uma chuva de sons coloridos iluminando a chegada do Ano Novo. Nada mais emocionante na passagem do Reveillon. Ou mais perigoso. O manuseio de fogos de artifício não é brincadeira de criança - como muitos pequenos gostam de pensar - e quando algo dá errado com a explosão, as consequências vão de queimaduras e mutilações até lesões nos olhos e surdez.
Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras apontam que uma em cada dez pessoas que brinca com fogos tem membros amputados, principalmente dedos. ''Os motivos dos acidentes quase sempre estão ligados à imprudência no uso de materiais inflamáveis e explosivos e brincadeiras perto das chamas das fogueiras'', explica o cabo Antônio Marcos Gerônimo, do Corpo de Bombeiros de Londrina.
Segundo ele, foi registrada apenas uma ocorrência envolvendo explosivos este ano na cidade. Um adolescente de 15 anos acidentou-se enquanto manuseava uma bomba caseira no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte). No ano passado também foi computado somente um acidente com fogos pelos bombeiros: um rapaz de 29 anos foi queimado por fagulhas de fogos de artifício durante um rodeio no Parque de Exposições.
''As famílias costumam levar as vítimas direto para os hospitais, por isso nem todo acidente é registrado pelos bombeiros'', declara o cabo, assinalando que muitos outros incidentes certamente ocorreram na cidade, ''principalmente no mês das festas juninas''.
O cabo Gerônimo alerta que a venda de fogos é proibida para menores de 18 anos e que as lojas devem passar por uma vistoria dos bombeiros, que verificam as condições de armazenagem e a existência de equipamentos de proteção, como extintores de incêndio. ''Os estabelecimentos também devem manter distância de escolas, hospitais e postos de gasolina'', completa.
Para o representante comercial Antônio Carlos Henrique, que trabalha numa distribuidora de fogos em Cambé, as expectativas de venda aumentam nesta época do ano, ''mais ainda que nas festas juninas, que tem perdido a tradição''. Há 53 anos no mercado, a empresa é vistoriada todo ano pelos bombeiros. ''As revendas também seguem as normas de armazenagem descritas pelos fabricantes nas embalagens dos fogos.''
Conforme dados do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), a fabricação dos fogos é artesanal e suscetível a falha humana. Para os pesquisadores do Instituto, a criação de uma norma brasileira, que defina critérios de desempenho e segurança, é um passo importante para a padronização dos explosivos produzidos no País, além de uma necessidade apontada pela maioria dos fabricantes.
Ainda segundo classificação do Inmetro, os fogos são dividos em infantil, juvenil, adulto e profissional. Os fogos da classe infantil são de queima livre, mas é recomendada a assistência de um adulto para o manuseio. A queima de fogos da classe juvenil é proibida em terraços, portas ou janelas próximas a vias públicas. Já os fogos das classes adulto e profissional têm venda proibida para menores e no caso dos profissionais, a queima só pode ocorrer com licença prévia de autoridade competente.
Segundo o médico Luiz Carlos Angelini, presidente da Associação Brasileira de Cirurgia da Mão (ABCM), é nas festas de fim de ano que ocorre o maior índice de acidentes com fogos de artifício, incluindo explosões com bombas, que têm alto poder de mutilação. Ele orienta que ''só profissionais habilitados devem manipular material explosivo''.
Além de provocar queimaduras em 70% dos casos, o uso de fogos pode causar lesões com lacerações/cortes (20% dos casos); amputações dos membros superiores (10% dos casos); lesões de córnea ou perda da visão e lesões do pavilhão auditivo ou perda da audição. ''As pessoas mais atingidas são homens com idade entre 15 e 50 anos e crianças de 4 a 14 anos'', estima Angelini.

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