Pequenos incêndios que destroem móveis e utensílios domésticos voltaram a ocorrer desde sábado no salão social do Jardim Boa Vista, em Mandaguari (33 quilômetros ao norte de Maringá), onde mora a família de Rosa Alves, 26 anos. O fenômeno não ocorria desde o dia 11 de novembro do ano passado. A primeira vez que Rosa constatou o surgimento do fogo em móveis, roupas e colchões foi no dia 3 de novembro. Ela morava com o marido e três filhos, em uma casa alugada, de alvenaria. O fogo surgia de repente e destruía os móveis da residência.
Com medo do fenômeno, Rosa foi morar com a mãe, mas o fogo continuou surgindo em móveis, colchões e roupas. No dia 11 de novembro, o fogo tomou conta da casa da mãe de Rosa, que era de madeira. Toda família foi morar temporariamente no salão social e, desde então, o fenômeno não havia se repetido. No último sábado, por volta das 9 horas, segundo ela, o fogo começou de repente em uma cama de solteiro. Para evitar que o fogo se alastrasse, ela tirou o colchão da cama e o colocou encostado na parede. Não adiantou nada. Minutos depois, o fogo já tomava conta do colchão. Rosa e a irmã contaram que tiveram dificuldades para apagar o fogo.
Marcos NegriniDestruiçãoMarcas do fogo na parede do salão social: colchão incineradoDesde então, o fenômeno se repetiu diversas vezes. Ontem de manhã, também por volta das 9 horas, Rosa foi surpreendida com o fogo que começava em um acolchoado sobre o sofá. ‘‘Não sei mais o que fazer. As pessoas me perguntam o que eu acho, mas eu não acho nada. Não sei o que é isso e peço ajuda. Eu é que quero saber das pessoas o que é isso e o que eu devo fazer para resolver o problema’’, desabafou Rosa.
No sábado, quando o fenômeno voltou a ocorrer, Rosa havia decidido esconder o fato dos vizinhos e da imprensa. ‘‘Da primeira vez, disseram que eu queria era aparecer, inclusive aparecer no programa do Ratinho. Cansei de falar que não é nada disso, mas as pessoas sempre desconfiam. Agora eu sou a primeira a dizer que eu quero ir no Ratinho para ver se alguém que sabe o que é isso, assista ao programa e venha me ajudar’’, disse.
Ressentida com a declaração de um padre, feita ano passado, alguns dias depois do incêndio e destruição da casa da mãe, Rosa disse ontem que não quer ajuda da Igreja Católica. Segundo ela, o padre - de que ela não recorda o nome - teria dito que era necessário separá-la dos filhos e do marido. ‘‘Eu não me separo dos meus filhos; não adianta. Quem se separa dos filhos é cachorro. Eu sou gente e não vou, de jeito nenhum, fazer isso.’’

mockup