O estudante Paulo Alexandre Domingues da Silva, 7 anos, morreu carbonizado ontem de manhã durante incêndio na casa onde morava, na Vila Rural Elza Lerner, no distrito de Pulinópiolis, em Mandaguaçu (16 km a noroeste de Maringá). A morte do garoto, que tinha problemas mentais, revoltou os moradores. Todos reclamam da instalação elétrica das casas, que pode ter provocado o incêndio. Paulo Alexandre e a irmã de 9 anos dormiam na casa, onde estava também a mãe Maria Domingues da Silva.
Ela disse que estava na cozinha quando percebeu o fogo no canto onde o garoto dormia, por volta das 7h30. As casas da Vila Rural não possuem repartição interna e os moradores dividem o ambiente com os móveis. Maria conseguiu tirar a menina, mas quando voltou para pegar Paulo o fogo já dominava toda a casa. ‘‘Tentei entrar mas não consegui porque tinha muito fogo’’, conta. A Vila Rural fica distante 10 quilômetros de Mandaguaçu, e o socorro demorou a chegar. Quando os bombeiros chegaram o teto já havia desabado.
Para Maria, o fogo pode ter começado na rede elétrica. Ela diz que a vila ficou sem energia por volta das 5h30, mas que não acendeu nenhuma vela ou lamparina. ‘‘Acho que a energia foi ligada e aconteceu o curto.’’ Os moradores da vila, que tem 86 casas, dizem que a instalação é de péssima qualidade. ‘‘Já perdi dois aparelhos de som e um rádio por causa da fiação fraca’’, contou a artesã Deusanice Pereira da Silva.
A vizinha dela, Maria Aparecida Caleran, diz que já perdeu as contas de quantas tomadas teve que trocar. ‘‘O problema é a fiação que não aguenta’’, diz. Para a dona de casa Valdeci Francisca dos Santos, todas as casas da vila correm o risco de pegar fogo. ‘‘Além dos fios serem muito finos, falta energia direto’’, disse. ‘‘Não moramos de graça e não temos energia.’’ A prestação de cada casa é de R$ 29,00.

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