Campo Mourão
A destruição de um barraco pelo fogo e a denúncia de que diversos tiros tinham sido disparados durante a noite mobilizou esta semana a polícia de Nova Cantu (130 km ao sul de Campo Mourão) até a Fazenda Nova Jerusalém, que está invadida desde julho. Os sem-terra acusam seguranças do proprietário da fazenda, mas o dono da área diz que os tiros e o fogo foram provocados por brigas entre os próprios invasores.
Ontem de manhã, o sem-terra Francisco do Nascimento procurou a Folha, por telefone, para dizer que o assentamento tinha sido atacado terça-feira à noite por cerca de 25 homens. Ele disse que o grupo chegou atirando e obrigou os acampados a fugirem dos barracos. ‘‘Alguns barracos e até a bandeira do MST foram queimados’’, denunciou o sem-terra. Segundo eles, os acampados tiveram que se esconder no meio do mato.
Na delegacia de Nova Cantu, no entanto, a informação era diferente. Até ontem à tarde, quem tinha registrado queixa era o dono da fazenda, Dino Bórgio, 65 anos. Ele disse que uma filha e o genro dele, que moram na propriedade, tiveram que sair às pressas da fazenda, de trator, por volta da meia-noite, quando dois sem-terra atiraram na casa deles. Outros três empregados continuaram na área. Ninguém ficou ferido.
O delegado Paulo Gomes de Souza diz que não aconteceu ‘‘nada grave’’ na Fazenda Nova Jerusalém. ‘‘Foi briga entre os próprios sem-terra, que estão divididos em grupos’’, afirmou. Segundo ele, foi queimado apenas um barraco que já estava vazio. ‘‘Eles estão saindo aos poucos da propriedade. Só esta semana já saíram cinco famílias’’, conta.
O dono da fazenda acusa os acampados de matarem bois e mais de 100 porcos desde que entraram na área. A Nova Jerusalém foi uma das primeiras fazendas invadidas em Nova Cantu, no final de julho. Atualmente, 57 famílias estão no local. O município chegou a ter mais de mil famílias acampadas em sete fazendas, mas houve desocupação pacífica de quatro delas.

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