Fogo destrói hotel histórico
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terça-feira, 17 de setembro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Era madrugada, por volta das 4 horas, quando as chamas subiram alto no antigo Hotel São José, localizado na Avenida Celso Garcia Cid, região central de Londrina. O incêndio aconteceu ontem e despertou a vizinhança. Parte da via teve que ser bloqueada para o trabalho do Corpo de Bombeiros, que conseguiu evitar que o fogo se alastrasse. Quatro pessoas ficaram feridas. Duas foram encaminhadas ao Hospital da Zona Sul e José Carlos Silvestre, de 77 anos, proprietário do hotel, foi atendido no Hospital do Coração com ferimentos leves na região da cabeça. Ele teve alta no início da tarde de ontem. A quarta vítima recusou atendimento.
Quando o incêndio começou, moradores próximos viram o desespero de alguns hóspedes que saíram para a rua apenas com a roupa do corpo. O fogo só cessou duas horas depois, no início do amanhecer, após serem utilizados cerca de 50 mil litros de água. Foi preciso deslocar três caminhões e uma carreta dos bombeiros.
José Silvestre é proprietário do imóvel há quatro décadas. Ele estava no local e suspeita que algum hóspede tenha se descuidado, iniciando o incêndio. Porém, a causa será investigada pela Polícia Científica. Um porteiro aposentado, que trabalhou próximo ao hotel durante anos, conta que em meados dos anos de 1950 o movimento no local era muito grande.
"Naquela época vinham muitos viajantes em busca de emprego, entre eles, os nordestinos. Como esse hotel ficava bem localizado, era muito bem frequentado. Muita gente se instalava ali, mesmo sem ter uma garantia de emprego, pois era de costume os patrões irem até os hotéis e pensões em busca de trabalhadores", comenta Edgar Galdino da Costa, de 72 anos.
Natural da Paraíba, Costa também lembra que em frente ao hotel ficava uma das primeiras casas comerciais (secos e molhados). "Esse hotel sempre foi simples, mas tem muita história para contar. É uma pena porque mesmo com as instalações antigas, continuava a funcionar com o aluguel de quartos principalmente para aposentados", diz.
Terezino Ferreira de Almeida, de 71, foi ao local logo após saber do incêndio. "Fiquei muito triste e resolvi passar para ver, até porque o José Carlos era meu amigo há muito tempo. Quando cheguei em Londrina em 1970, me hospedei aqui e, anos depois, cheguei até a morar por alguns meses. Sempre foi do mesmo jeito, a fachada, os quartos", lembra o aposentado.
Primeira moradia
A professora Denise de Cássia Rossetto Januzzi, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina, revelou em seu trabalho "O desenvolvimento de Londrina e as transformações nos espaços públicos da região central" (2005), que entre as décadas de 40 e 50, "todo tipo de negócio prosperava em Londrina: hotéis, pensões, bares, casas comerciais. A cidade tinha 878 estabelecimentos comerciais, 45 hotéis e pensões, quatro cinemas, 154 consultórios e escritórios de profissionais liberais".
"Na verdade, nesta época os hotéis e pensões eram a primeira moradia de muitas pessoas de que vinham de outros estados e países. Como a chegada à cidade se dava nessa região da Avenida Celso Garcia Cid, muitos se instalaram ali", comenta Denise. (Colaborou Walkiria Vieira/Equipe NossoDia)


